Na última publicação eu tinha comentado que o próximo seria a sessão 15 do Mundo de Vordel. Pois é, eu menti. Acabou que eu achei melhor deixar acumular pelo menos uma sessão para que sempre que jogarmos, o blog esteja duas sessões atrás — a última publicação foi a sessão 14 e em alguns dias iremos jogar a sessão 16. Com isso, eu decidi trazer uma assunto que venho divagando bastante, que é o que torna um criador de histórias melhor ou acima da média.
Eu não venho me perguntando especificamente um criador de histórias, mas um artista no geral, seja um escritor, pintor, músico, cineasta e etc. Porém sempre que penso nisso eu busco colocar dentro da minha realidade como criador de histórias, arte que exerço através da criação do meu cenário de RPG, aventuras, monstros e etc. Ao mesmo tempo esse assunto que irei abordar hoje vale para qualquer artista — ou seja, mais uma vez eu menti, agora no título dessa publicação.
Isso que irei falar acredito que seja uma verdade na vida de qualquer artista ou criador de coisas, mas acho interessante praticar uma reflexão em cima disso e o quão crucial é e ao mesmo tempo como pode tornar sua arte algo engessado quando feito da forma incorreta.
O que diferencia um bom criador de um comum?
Todo mestre de RPG quando cria alguma história do zero ou pega uma aventura pronta para jogar com seus amigos busca colocar um pouco da sua personalidade naquela história. E isso na verdade acontece para todo criador, ele sempre direta ou indiretamente reflete um pouco de si em sua obra. Eu particurlamente acredito que é impossível separar um autor de uma obra, já que a maioria não cria aquilo exclusivamente para o público, mas também um pouco para ele mesmo.
Eu vi um vídeo a um tempo atrás que fala justamente disso, sobre como a mensagem depende do locutor. O vídeo parecia ser de uma peça de teatro, onde a personagem dialoga com o outro sobre esse fato e exemplifica como não tem como separar a arte do artista através da frase “Eu te amo”. Segundo ela, essa mesma mensagem pode ser interpretada de forma diferente quando parte dela ou quando parte da esposa do interlocutor, demonstrando como algo dito, escrito, criado carrega mensagens subliminares dependendo do contexto. Esse fato não é diferente para um artista, como falei acima quando disse que quase todo criador busca colocar um pouco de si na sua obra, ou como sua vivência específica levou ele a ser daquela forma e conceber aquela obra de arte.
É inegável que artistas influenciam outros artistas, basta participar de qualquer aula de literatura ou artes para ter esse fato como algo solido, ou ao se deparar com a frase de Lavoisier, que diz que “Nada se cria, tudo se transforma” — ou sua equivalente popular “Nada se cria, tudo se copia”. E é nesse ponto que quero focar, influência e inspiração.
Outro fato incontestável é que para se tornar algo, você precisa estudar e aprender com aquele algo. Toda pessoa que deseja se tornar um programador por exemplo, precisa aprender com outros programadores como fazer aquilo. Todo criador ao fazer sua obra busca exemplos em sua mente ou no mundo material para conseguir alcançar objetivos específicos dentro de sua obra. Existe ainda aqueles que copiam descaradamente aspectos de obras populares para criar a sua própria. O que eu quero dizer depois de tanta reflexão é: se você deseja contar uma história, você precisa “beber” de outras histórias para contar a sua.
Todo criador que se preste acompanha e esgota as fontes do seu meio para conseguir exercer seu trabalho. Assim você consegue entender como outras pessoas fizeram o que você deseja fazer e trilha um caminho já explorado por outros. E você deve estar pensando agora, “Entendi, você vai dizer que para eu me tornar um bom contador de histórias basta eu ler muitas outras histórias?”, de jeito nenhum leitor apressado
Na minha opinião, você buscar fontes dentro do seu meio de criação e consumi-las — de modo analítico, reflexivo e junto da produção de algo, se não você vai estar apenas consumindo — irá apenas te colocar próximo do patamar da sua fonte de inspiração ou estudo, talvez uns dois passos atrás ou dois na frente. Você vai se estabelecer como um criador daquele meio, mas talvez não passe de algo medíocre. O que torna um criador medíocre em um excelente é explorar mundos fora do seu conforto.
No momento que você sentir que você se tornou um bom executar da sua arte, buscar fontes externas talvez seja uma boa forma de renovar sua inspiração e sair de uma forma padrão. Se quiser escrever um livro, não basta ler e estudar literatura, busque música, pintura, jogos, o que mais te atrair, outras obras de artes com visões diferentes do seu meio que te leve a algum tipo de reflexão sobre o que você exerce. Talvez até seja bom praticar alguma dessas outras práticas como um hobbie ou outra forma de produzir seus conteúdos.
Exemplos concretos disso para mim são três artistas que me inspiram e já me inspiraram muito durante meus processos criativos. São eles J. R. R. Tolkien — criador de Senhor dos Anéis, O Hobbit e muitos outros livros na Terra Média —, Neil Gaiman — criador de Coraline, Deuses Americanos, Sandman — e Hidetaka Miyazaki — game designer e diretor criativo da série de jogos Souls, Elden Ring, Sekiro, Bloodborne. Todos eles foram influenciados por outros meios de mídia que tiveram um efeito definitivo em como suas obras foram concebidas.
Tolkien além de devorar livros e livros, buscou fontes primordiais mitológicas em histórias, contos e lendas, utilizou seu vasto e invejável conhecimento linguístico e foi afetado profundamente pelas mudanças trazidas pela guerra, moldando de forma única suas clássicas obras. Neil Gaiman por sua vez escreveu livros, quadrinhos, episódios de séries, produziu filmes, e foi tocado por cada uma delas além de muitas outras mídias — como a música. Por fim, Miyazaki já alegou exercitar como hobbie sua paixão por game design, e todo fã de suas obras sabe o quão influenciado ele foi por literatura, com obras como Sonho Febril, As Crônicas de Gelo e Fogo, Berserk e diversos livros-jogos da série Fighting Fantasy, que trouxe aspectos únicos para seus jogos.
Se você quer realmente se tornar cada vez melhor no que faz, seja criar histórias, escrever versos ou pintar quadros, vale a pena explorar mundos diferentes e identificar o que eles podem agregar no seu.
Recomendações de obras que me inspiram
A capa dessa publicação está intimamente relacionada com a mensagem que quero passar, como pode ler ao final do parágrafo anterior, trazendo diferentes obras entre livros, mangás, quadrinhos e RPG’s. Por fim, gostaria de recomendar algumas obras que me inspiram profundamente a criar cada vez mais e de forma cada vez melhor.
- O Hobbit é um livro que mexe muito comigo, acho ele essencial para todo jogador de RPG.
- Algo que me inspira muito são obras relacionadas a mitologia, como enciclopédias ou reinterpretações de lendas antigas. Recomendo dar uma olhada no Origens da Mitologia, peguei recentemente e estou apaixonado.
- Eu sou apaixonado por obras de dark fantasy. Recomendo ler qualquer coisa escrita pelo George R. R. Martin, principalmente Sonho Febril e a série As Crônicas de Gelo e Fogo. Se seu gosto é por mangás, não tenho como não citar Berserk do mestre Kentaro Miura, e nos jogos recomendo Dark Souls e Elden Ring, que são fortemente inspirados por sua obra.
- Eu adoro ler e explorar bestiários, as artes presentes em livros desse tipo me inspiram bastante. Recomendo ter em mãos o Monster Manual 2014 da quinta edição de Dungeons and Dragons e o Ameaças de Arton do Tormenta 20.
- Eu poderia citar vários animes, mas acho que One Piece e JoJo’s Bizarre Adventure são os mais interessantes de assistir e buscar entender suas inspirações.
- Um livro de fantasia que me cativou bastante recentemente foi Um Estranho Sonhador da Laini Taylor, com um mundo mágico, cativante e que expande a cada página lida.
- Meu super-herói favorito é o Homem-Aranha e gosto muito de algumas histórias dele. Se você quer começar a ler, busque Homem-Aranha Ultima: Poder e Responsabilidade, mas se já estiver familiarizado com ele recomendo muito A Saga do Devorador de Pecados e A Última Caçada de Kraven.
- Se você se interessa por literatura de fantasia relacionada a RPG, recomendo imensamente a Trilogia Tormenta, principalmente O Crânio e o Corvo que para mim é o melhor deles.
- Eu gosto muito de escutar metal enquanto escrevo e produzo conteúdo. Escuto Metallica, Iron Maiden, Linkin Park, Led Zeppelin, Gojira, Bring Me The Horizon, Ghost, Crypta, Pentakill, Sepultura, System Of A Down, Powerwolf e Black Sabbath. Com certeza estou esquecendo de alguma, mas acho que isso resume bem meu estilo de música.
- Quanto a séries recomendo Doctor Who — que é maluco e cheio de ideias muito bons e outras sem noção — e Game of Thrones.
- Seis filmes que marcaram muito minha infância foram os Episódios IV e V de Star Wars, O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, Homem-Aranha 1 e 2 do Sam Raimi e Jurassic Park.
- Video-game é uma das minhas maiores paixões, apesar de não conseguir tanto tempo para jogar hoje em dia. Recomendo imensamente a série Dark Souls — já recomendado anteriormente, então acho bom você jogar —, qualquer jogo da série The Legend of Zelda, The Witcher III: Wild Hunt, Shadow of the Colossus e qualquer jogo do Hideo Kojima — que para mim está no mesmo nível do Miyazaki, só que se inspirando muito em obras do cinema.



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