Mundo de Vordel #15 – Ritual Profano, parte 2: As Ruínas da Masmorra Anã

Mundo de Vordel #15 – Ritual Profano, parte 2: As Ruínas da Masmorra Anã

Hoje temos a continuação da mesa do Mundo de Vordel, dando continuidade a aventura Ritual Profano. Estava ansioso para fazer a publicação desta postagem, mas confesso que tive que focar em algumas outras coisas do FlameReaper — e também procrastinando — e acabei empurrando a sessão 15 para frente. Porém agora está na hora de continuar de onde paramos e se atualizar nos últimos acontecimentos da mesa.

Queria aproveitar a publicação de hoje para avisar que agora as publicações da Cripta do Conhecimento serão feitas aos sábados, e as quartas temos conteúdo extra na página do Instagram e no Tiktok (me sigam lá!). Esse cronograma de conteúdo facilita bastante minha vida, se encaixando bem com minha rotina lotada. Então já sabem, nesses dias fiquem cientes que temos conteúdo de qualidade — caso algo aconteça e eu não consiga publicar, eu sempre irei avisar vocês através dos stories do instagram.

Esses são os avisos para hoje. Vamos nos aventurar agora!

Na nossa última sessão, dois grupos de aventureiros se reuniram para iniciar uma jornada lado a lado em busca de resgatar um bruxo draconato da Armada da Noite chamado Vorsisax, a pedido de Norvar, um outro membro da ordem que o acompanhou em sua última missão e presenciou o seu sequestro por um grupo de cultistas misteriosos. Primeiro, eles precisam retornar as ruínas de uma masmorra anã, o local onde foram emboscados, com o objetivo de reunir pistas sobre os sequetradores.

Toda a jornada foi bastante calma, seja por sorte ou habilidade do grupo. Na metade do caminho para a ruína, Norvar sugeriu que fossem até a cabana de um anão lenhador da região, no qual descansaram por uma noite na última missão. Além de um descanso adequado, ele queria obter informações sobre a região e ver se o culto aparecia nela. Acontece que na verdade o anão era um cultista disfarçado, que enfrentou o grupo e perdeu, sendo encantado pelo arcanista para que os aventureiros questionassem ele sobre o culto e o sequestro.

O restante do caminho até as ruínas da masmorra anã foi bastante tranquilo, três dias e uma manhã de viagem sem qualquer perigo visível, até que finalmente chegaram na base da Cordilheira da Ventania Cortante, um marco geográfico importante que separou e delimitou os reinos de Convrad, Drakenia e as Terras Isoladas do Norte. “Chegamos”, disse Norvar enquanto descia da carroça. “A caverna que leva as ruínas da masmorra deve estar próxima, irei tomar a frente do grupo para guiar vocês até a localização da masmorra. Se preparem, pois depois que entrarmos é um longo caminho para retornar a tranquilidade do exterior.”

Com isso, cada aventureiro começou a se preparar. Andurion e Lumi convidaram todos os integrantes a participarem de um ritual conjunto dos seus deuses, de forma a proteger os presentes com a resistência divina concedida pelas divindades. Agora prontos, eles se reuniram e deixaram o meio-elfo guia-los até o local das ruínas.


A caverna era longa, húmida e sem qualquer fonte de luz. A entrada pelo qual passaram a mais de vinte minutos era demarcada precariamente pelos destroços de uma estrutura abandonada a tempos, mas o suficiente para que Norvar identificasse e guiasse o grupo até ela. Os anões já estavam acostumados com a rotina de atravessar longas distâncias por baixo de terra e rocha, mas o restante já estava cansado da monotonia criada pela escuridão.

Conor era o único que batalhava contra a escuridão, forçando os olhos para identificar o caminho que percorriam, mas logo se cansou de ficar para trás daqueles que enxergavam tranquilamente no escuro e com um gesto quebrou as trevas conforme seus olhos brilharam em um vermelho intenso e passou a ver o que todos viam.

Mais alguns minutos de caminhada se sucederam até que eles se depararam com o começo das ruínas da masmorra anã. O portão de pedra encontrava-se completamente destruído, mas ainda possuía a grandeza e beleza da arquitetura anã. Passando por ela agora estavam de fato na estrutura construída pelos anões, com paredes esculpidas na rocha e duas escadas feitas do mesmo material em linha reta até a verdadeira entrada da masmorra. Alguns destroços dificultavam a passagem de parte do caminho, mas nada que fosse complicado para que os aventureiros passassem.

Guardada por duas colunas robustas estava mais um portão de pedra destruído, semelhante ao primeiro encontrado por eles. A câmara interna possuía ainda mais destroços, mas ainda assim um espaço amplo para que todos entrassem com conforto. Norvar analisou o ambiente e chamou a atenção do grupo para os esqueletos de quatro anões se levantavam e tomavam conhecimento da presença do grupo. Todos se posicionaram para enfrentar os esqueletos, com Andurion e Azzakh correndo para a vanguarda.

O cavaleiro e o monge agiram com velocidade e força contra os esqueletos. Decrepitos e apodrecidos como estavam, caíram rapidamente sob a força dos seus golpes. O restante agiu seguindo os passos dos dois, ganhando terreno rapidamente contra os inimigos e garantindo com que fizessem pouco contra eles. “Não deu nem pro cheiro”, disse Erebos ao constatar a queda dos esqueletos. Com sua visão mística, Conor notou uma leve aura de cor verde se esvaindo dos cadáveres. “Parece que a aura necromante que os mantinha animados não era muito forte.”

Apesar da câmara estar repleta de destroços, ainda era possível acessar uma porta a direita, que levava a uma sala com metade do tamanho da anterior. Ela por sua vez possuía alguns móveis destruídos pelo apodrecimento do tempo, com diversos papiros espalhados pelo chão. Levado pela curiosidade, Conor começou a analisá-los com cuidado, com alguns papiros se desfazendo ao simples toque dele. Em meio a essa bagunça, ele conseguiu identificar um que parecia ser possível manusear mais facilmente.

Seu conteúdo estava escrito na lingua dos anões, levando ele a procurar o auxílio de Andurion para identificar o seu conteúdo. “24º dia … Novo pris… Dwen …ado a … por… dia… Gi…hr… saída do…”, o anão bufou frustrado, “Isso para mim é lixo, não significa nada. O tempo fez seu trabalho muito bem.”

Norvar colocou a mão no ombra do anão e disse, “Vamos terminar de explorar as ruínas primeiro, talvez isso ganhe algum tipo de significado mais para frente.”

Com isso, ele começou a subir as escadas para os corredores da masmorra conforme explicava o caminho que tomou junto dos outros membros da Armada da Noite quando esteve nela. “Ao fim dessa escadaria nós encontramos um corredor e decidimos seguir reto por ele, chegando em uma câmara menor ao final.” Ele parou em frente a porta do fim da escadaria, abrindo ela e revelando o corredor que se referia. “Nessa sala a gente consegue passagem para uma região inferior, através de uma grade destruída, e ao poço que descemos para continuar nossa exploração. Desejam seguir pelo mesmo caminho?”

“Com todo o respeito, vocês seguiram esse caminho e não se deram muito bem”, disse Conor atrás dele. “Acho melhor seguir por outro caminho, vamos ter a oportunidade de explorar e também de evitar ser emboscados caso algo ainda permaneça na masmorra.”

O corredor possuía alguns caminhos, o primeiro e mais óbvio seguia reto e virava a esquerda, caminho seguido pelo grupo de Norvar na última vez que esteve na masmorra, já o outro era uma passagem a direita antes de seguir o caminho normal do corredor. A esquerda do grupo logo no começo estavam duas portas, a primeira trancada por chave e a segunda destrancada, mas fechada do outro lado por destroços.

Aladim olhou pela fechadura da primeira, buscando identificar como era a câmara. “Parece pequena e fechada por uma grade, semelhante a descrição da câmara que o Norvar disse que fica ao final do corredor.”

“Bom, como não possuímos a chave para essa porta, acho que podemos seguir a passagem ainda não explorada”, disse Erebos após algumas tentativas falhas de forças a abertura da porta com um pé de cabra.


“Mais duas portas e o corredor ainda não terminou”, Andurion falou observando as portas a sua direita e a frente, logo quando cruzou pela passagem que decidiram seguir. “Querem verificar as portas ou seguir até o final?”

Os aventureiros conversaram por alguns minutos e decidiram por fim em verificar a porta mais próxima do anão. Todo o corredor dessa região superior era pequeno, permitindo apenas que eles seguissem um atrás do outro. O anão foi a frente do grupo, decidido em proteger seus aliados de qualquer perigo, com Norvar seguindo logo atrás dele para auxília-lo com seu conhecimento sobre a masmorra.

Ele colocou a mão na porta e a empurrou levemente, só para verificar se estava trancada. Com um aceno com a cabeça, comunicou a todos para que se preparassem, e foi abrindo lentamente e observando com cautela o ambiente de dentro. Esta sala parecia ser maior que as outras, e possuía diversas camas destruídas, montando um cenário de combate conforme sua visão passava pelo ambiente.

Foi quando observou um esqueleto armadurado começando a se levantar que decidiu abrir a porta em um solavanco e adentrar correndo para enfrentar o perigo. Palavras de bravura e heroísmo deixaram seus lábios, concedendo força destrutiva ao seu escudo que golpeou forte aquele que se levantava. O inimigo não teve chance contra o poder do cavaleiro, que jogou seu corpo para longe despedaçando o que restava de seus ossos.

Três outros se levantaram e eram semelhantes a aqueles que enfrentaram na entrada da masmorra. Eles sercaram Andurion, mas o grupo reagiu a tempo, saindo do corredor e entrando na sala com velocidade. Azzakh e Erebos partiram para enfrentar aqueles que ameaçavam o anão, desferindo golpes que feriram sem dificuldade os esqueletos. Mais uma vez, estavam eles entre ruínas e inimigos caídos.

“Mais esqueletos”, disse Coralina. “Tem um pequeno corredor com seis portas aqui, provavelmente são quartos privados.” Enquanto a medusa falava isso aos demais, Azzakh se ajoelhou sob os restos do cavaleiro morto pelo anão e pegou uma chave bruta feita de ferro. “Ok, temos que depois voltar e verificar se isso abre aquela porta.”

Seis deles foram em direção as portas, cada um ficando responsável por uma. Eles abriram e exploraram de forma quase simultânea, encontrando ambientes bastante semelhantes, compostos por uma cama, uma escrivaninha e um armário simples de madeira, tudo decadente devido a ação do tempo. Foi no quarto responsável por Andurion que foi encontrado uma escultura de pedra esculpida em formato de uma mão. Em um de seus dedos — o anelar, para ser preciso — estava um grosso anel de bronze, gravado com runas anãs.

O cavaleiro pegou o anel e levou para Lumi, para juntos análisarem o objeto com cuidado e entender o significado que a junção das runas trazia a ele. Segundo eles, juntas as runas significavam algo próximo de “mestre da passagem” no idioma comum. Foi quando eles se lembraram de uma antiga lenda de sua cultura.

Segundo ela, um belo dia os deuses menores e irmãos Brokk e Eitri foram visitados em sua forja sob a montanha por um deus trapaceiro. Impressionado com o trabalho dos dois, ele os desafiou a criar um objeto capaz de abrir qualquer porta existente, mas que não podia ter o formato de chave. Depois de bastante trabalho, eles entregaram ao deus trapaceiro um belo anel feito de bronze que fazia com que quem o utilizasse fosse capaz de abrir qualquer passagem sem precisar de uma chave ou ativar qualquer mecanismo. O anel foi nomeado Firferin por Eitri, ou no idioma comum, Mestre da Passagem.


“Antes de testarmos a chave acho que é justo usarmos o anel de bronze e ver se ele funciona”, Andurion disse tentando esconder a empolgação com o objeto.

“Acho melhor antes abrirmos a porta para ver se a chave funciona, ai trancamos novamente e testamos o novo brinquedo do grupo”, Erebos respondeu.

“Tá bom, deixa eu pegar a chave.” Eles agora haviam retornado ao começo do corredor, para tirar suas dúvidas quanto a porta trancada que deixaram no início. “Aquela porta próxima ao dormitório já não abriu com a chave, acho bom funcionar nessa.” Ele pegou a chave e enfiou na tranca da porta, girando livremente e abrindo a pequena câmara.

De fato ela era semelhante a outra câmara no final do corredor, segundo o que Norvar disse quando entraram pela primeira vez no corredor. A sala não era só pequena em tamanho mas também em relação a altura do teto, sendo acessível apenas a altura dos anões. Ao invés de possuir uma parede, grades no lado oposto a porta fechavam ela e concediam visão a uma região inferior. Lumi constatou os fatos e disse, “Talvez eles utilizassem essa sala para vigiar essa área de baixo.”

Andurion observou a área inferior, identificando uma longa passagem fechada por destroços ao sul. No meio da região, estava um enorme poço, semelhante ao descrito pelo meio-elfo. Ele não conseguiu ver muito mais longe devido as limitações de sua visão no escuro, mas quando já estava quase saindo analisou com calma os destroços e encontrou em meio a eles o que parecia ser uma armadura destruída.

Qualquer outro integrante do grupo iria ignorar esse fato e assumir que era uma armadura qualquer, mas como ferreiro ele não poderia não olhar com calma. O equipamento apesar de destruído, não fora afetado gravemente pelo tempo, demonstrando uma boa forja e material excelente. A única coisa que o impedia de análisar o objeto com calma eram as grades que impediam a passagem para baixo. Mesmo as forçando, era inútil e ela fora deixada para depois.

“Vamos retornar de onde paramos”, disse Conor já se direcionando ao corredor do qual vieram.

“Não antes sem testar o anel!” Andurion já foi fechando a pequena câmara, colocou o anel e testou abrir a porta de diversas formas, a empurrando, girando o ar como se tivesse uma chave invisível e até fazendo gestos emulando aqueles feitos por Aladim e Conor quando conjuram alguma magia.

“Talvez seja preciso uma palavra mágica”, Azzakh disse de forma irônica.

Coralina se simpatizando da empolgação do anão se aproximou e disse, “Vamos seguir Andurion, talvez o anel não funcione nessa porta.”

Ao final do corredor escolhidos por eles, ficavam duas portas, uma de frente para a outra bifurcando a passagem. Eles decidiram por abrir a porta a esquerda, que apesar de trancada fora aberta pela chave encontrada no esqueleto armadurado. Assim que abriram, suas narinas foram tomadas pelo cheio de poeira, fazendo suas cabeças recuarem em uma reação desgostosa. A sala era longa e no centro havia uma enorme mesa de pedra, com belas cadeiras extremamente velhas a cercando.

Andurion, Azzakh e Conor tiveram sua atenção tomada pelo conteúdo no final da sala. Em um pedestal estava um belíssimo tomo, com capa de couro e detalhes em ouro e, diferente de muitos objetos desta masmorra, parecia não conter qualquer tipo de avaria. Suas páginas ao mesmo tempo eram delicadas e com toque suave. O anão foi o primeiro a se atraver em interagir com o tomo, todo escrito em anão. “Esta é a Norma Anã”, ele disse em voz alta como se isso trouxesse um amplo significado para os dois que estavam próximos dele.

Acima do pedestal na parede, estava escrito também na língua dos anões uma mensagem, mas antes de questionar sobre ela, Conor perguntou ao anão, “O que é a ‘Norma Anã’?”

“É um conjunto de regras, leis e dogmas da cultura anã, sobre como nossa sociedade deve funcionar. Foi escrito pelos nossos anciões e os deuses Brokk e Eitri.”

“E o que é essa mensagem na parede?” Disse apontando para ela.

“’Saímos das profundezas da montanha onde aprendemos o caminho da forja e da honra. Os filhos devem retornar para que não se esqueçam do que foi aprendido.’, é o que ela diz, é uma passagem da Norma.” Ele explicou para todos que, segundo a cultura anã, depois que eles deixaram as profundezas de sua antiga morada na montanha e começaram a construir cidades no mundo exterior, foi decretado pelos anciões após revelação divina que todo anão ao atingir a maioridade deveria retornar a montanha para passar por uma provação, para que o conhecimento antigo não fosse esquecido.

A visão de Conor, ainda tomada por magia, foi capaz de identificar leves traços de magia arcana “rústica” no tomo, no pedestal e na mensagem na parede, compartilhando esse conhecimento com seus aliados. “Será que essas coisas guardam algum segredo?”

Os três começaram a testar algumas possibilidades, verificando se o tomo guardava alguma mensagem escondida, algum objeto, tirando e o colocando do pedestal. Depois de um tempo batendo a cabeça e quase desistindo pela falta de resultados, Azzakh fez uma última sugestão, pedindo para que Andurion abrisse o tomo na parte que exibe a mesma mensagem da parede.

Depois de alguns segundos com o tomo aberto dessa forma, eles começaram a escutar o som de engrenagens funcionando e de pedra arrastando sob pedra, e a esquerda do pedestal um caminho oculto se abriu. Conor se virou para Azzakh e disse, “Muito bem tartaruga.”


A passagem revelou para eles uma longa escadaria para baixo cada vez mais nas profundezas da cordilheira. Eles enfrentaram uma descida de mais ou menos quinze minutos. Quando já se encontravam cansados novamente, a escaria se tornou uma espiral e finalmente chegaram em seu fim. Eles estavam agora em uma pequena sala com uma porta e uma alavanca próxima a ela.

Após se familiarizarem com o ambiente, eles começaram a discutir quanto a possibilidade de a alavanca ativar algum tipo de armadilha. “Se a gente parar para pensar não faz sentido essa alavanca ativar alguma armadilha, isso é uma passagem secreta”, disse Erebos em meio a discussão se ativavam ou não ela. Eles continuaram assim até que furtivamente Coralina decidiu por ela mesma que iria baixar a alavanca. Todos olharam pasmos e em silêncio quando… nada aconteceu.

Pelo menos não ali, no silêncio todos se atentaram a qualquer barulho e escutaram para além da porta a frente deles o som de pedra se movendo, semelhante ao feito pela passagem secreta quando foi aberta. Aliviados, Andurion se dirigiu a porta. “Vamos continuar então”, ele se dirigiu confiante e foi pego de surpresa quando a porta não abriu. Nem a chave e nem o anel foram capazes de abrir essa, levando frustração a todos eles.

“Não acredito que vamos ter que subir isso tudo de novo…”, Conor disse depois de um longo suspiro.


Eles voltaram para a porta não aberta, em frente a sala da passagem secreta. A porta já estava levemente aberta, e sob ela haviam algumas marcas escuras e estranhas no chão. Dentro, estava apenas o pó de um antigo cadáver, restando apenas a roupa extremamente desfiada e acabada do indivíduo que faleceu neste lugar. Descansando em meio a poeira acumulada que fora varrida pela abertura da porta, estava uma simples chave dourada, que foi pega pelo grupo.

A sala tinha a típica aparência de um escritório, com traços de nobreza, mas sem deixar para trás a seriedade e simplicidade anã. Havia ainda mais uma porta em seu interior, destrancada pela chave dourada encontrada por eles. Seu interior seguia as mesmas intenções da arquitetura do escritório, mas agora com o propósito de aposento para descanso. O tempo tirou qualquer detalhe interessante do passado, mas a atenção de todas se voltou a uma bela pintura ainda pendura na parede deste cômodo.

Acima de uma escrivaninha repleta e papiros e tomos destruídos pelo passar dos séculos, estava ela, também muito desgastada, mas que ainda refletia a cena capitada pelo artista. Nela, se debruça sob uma mesa e um enorme papiro uma anã em vestes de couro e ao lado um draconato de escamas douradas. Ela parece estar traçando uma longa linha com o auxílio de uma régua, esboçando o início do que parece o planejamento de alguma construção subterrânea.

Eles se aproximaram para análisar com mais cuidado. Conor limpou com a mão a poeira depositada em uma placa dourada na região inferior do quadro, revelando algo escrito em élfico. Ele leu em voz alta, “’Primeiros esboços de Vistra, por Arand Tormaris.’ Conheço esse nome de algum lugar.” E de fato conhecia. Segundo ele, Arand Tormaris era um famoso pintor elfo, responsável por pintar belos quadros que enfeitavam as paredes das mais importantes famílias nobres de Vaerûn, Drakenia e até Nova Terra.

“Acontece que o auge de seu trabalho foi a uns setecentos anos atrás. Ele já está aposentado a mais de duzentos anos, mas acredito que ainda está vivo.” Com cuidado, eles removeram e guardaram na aliança de Aladim a obra de arte.


Novamente no fim da passagem secreta, eles estavam mais uma vez confiantes com a chave dourada em mãos. A porta dessa vez foi destrancada e eles foram tomados por uma sensação de alívio. Conor cruzou o corredor que se abriu, para encontrar ao final a direita uma parede de pedras, imitando a parede de uma caverna. Era possível ver entre as frestras dessa parede uma leve luz alaranjada, levando ele a começar a retirar as pedras com cuidado.

Por trás da parede estava uma região cavernosa, tomada por fungos de aparência estranha, com corpo e chapéu alongado e de cor laranja. Cada um dos cogumelos emitia luz própria, trazendo um tom alaranjado a toda a área. Além dos cogumelos, grande parte do chão e das paredes estava tomado teias e casulos grandes feitas do mesmo material. Do lado oposto de onde o grupo estava, eles conseguiram ver uma abertura, mas eles não era possível identificar o que estava para além dela, pois a visão deles não era suficiente para enxergar o que havia lá.

Conor foi capaz de ver alguns vultos estranhos para depois da abertura, mas o que é que fosse não estava interessado neles. Não era possível se aproximar sem que eles passassem pelos cogumelos e a teia. Eles discutiram algumas possibilidades do que fazer, e optaram por confiar na magia do mago para incendiar o que impedia a passagem do grupo. Com isso eles estendeu as mãos e labaredas incendiaram sua frente.

Não demorou muito para que o fogo se espalhasse com velocidade pelo ambiente, e agora eles tinham certeza de que algo habitava aquele lugar. Cruzando com velocidade a abertura em meio a raiva e desespero, veio uma aranha gigante, tomada pelos mesmos cogumelos presentes nessa região. Ela se movia de forma errática e doentia, olhando para o grupo com ameaça e pulando no teto para evitar as chamas.

O grupo entrou em formação mais uma vez, com Andurion posicionando seu escudo na direção da criatura. Ela sacudiu seu corpo, jogando esporos sob Conor, que levou a mão para a boca e o nariz, resistindo aos seus efeitos. O grupo se aproveitou bastante da vantagem concedida pelas chamas, com os conjuradores lançando suas magias contra o aracnídeo infectado.

Quando as chamas já não representavam uma grande ameaça, ela saltou em direção ao anão, que defendeu seu ataque com o escudo. Erebos e Azzakh a flanquearam e golpearam com força, recebendo suas garras e mordidas em retorno. Lumi já prepara seus milagres, chamando por sua arma espiritual e conjurando ventos gelados contra ela.

Ela recuou para o frio e Conor aproveitou a oportunidade. Concentrando o máximo de energia arcana que podia, uma chama poderosa se formou entre suas duas mãos, clareando o ambiente ao redor. Aladim vendo o movimento do mago conjurou um emaranhado de espinhos para impedir o movimento da aranha e trazer as chamas ainda ativas para ela, queimando e segurando a monstruosidade. Com a magia pronta, o jovem mago estendeu as mãos mais uma vez, levando um tormento de fogo em direção ao inimigo, que definhou engolfado em chamas.

O fogo cessou, e a área antes iluminada caiu em escuridão. O corpo da aranha gigante já se desfazia em cinzas, assim como todos os cogumelos que estavam ali.

“Vamos ver o que essa alavanca ativa?”, disse Norvar no corredor da passagem secreta esperando o grupo fazer seu trabalho.

Mural de destaques