Como prometido, hoje temos a sessão 17 da campanha do Mundo de Vordel, continuando nossas aventuras para desvendar os mistérios sobre o desaparecimento de um membro da Armada da Noite. Estou bem feliz com essa aventura e acho que foi uma ótima escolha iniciar as adaptações da nossa campanha a partir dela, e estou bastante empolgado com o que teremos daqui para frente conforme nos aproximamos do fim dela.
Estamos na metade da aventura — ou pelo menos próximo disso — e agora as coisas tem a tendência de se tornarem mais complicadas. Não se esqueça de assinar o blog para acompanhar essa jornada e também ficar de olho nas redes sociais do FlameReaper para ver os bastidores das sessões da campanha. Todas essas coisas você pode conferir acessando a linktree da página clicando aqui.
Guia de Leitura
Use esta seção como guia para recobrar informações sobre os personagens e sobre a aventura.
Personagens

Aladim Mubarak Axefárida
Um misterioso bruxo vindo de terras distantes dono de habilidades e poderes ocultos dos quais conhece pouco sobre.

Andurion Escudo-do-Trovão
Um anão membro dos Clérigos de Bronze e cavaleiro dos Guardiões do Martelo, casca grossa em batalha e extremamente honrado.

Azzakh, Palmas Douradas
Dracodine monge da Ordem do Guardião Dourado, forte, inocente e com o coração no lugar certo.

Conor Blackwood
Um jovem humano mago muito habilidoso, mas ainda inocente, que vem desbravando as terras a procura de conhecimento arcano.

Coralina
Uma medusa barda que abandonou a vida de nobre para viajar por Drazenia aperfeiçoando sua arte.

Erebos Antoniou Argyros Fasharash
Meio-elfo membro da Armada da Noite, de olhar intenso e porte físico poderoso que demonstra sua força de guerreiro.

Lumi Raposa-da-Montanha
Clériga de Ymir e integrante dos Clérigos de Bronze, exala gentileza, ótima cozinheira e que possui a habilidade de sentir a chegada de neve.
Localização do Grupo
O episódio passado terminou no 12º dia de Zaeso, no interior de uma das cavernas da Masmorra de Vistra.

Anteriormente
Na nossa última sessão, nosso grupo de aventureiros terminou de explorar a Masmorra de Vistra. Depois de investigarem a área habitada pela aranha, que conectava a masmorra novamente as cavernas, eles abriram os portões de ferro que bloqueava a passagem dessa área através da alavanca que encontraram na passagem secreta. Com isso, eles foram até a região onde o grupo de Norvar foi encurralado pelos cultistas, podendo agora investigar o que aconteceu.
Eles identificaram a cena do sequestro facilmente, vendo rastros de cadáveres que foram arrastados, sobrando apenas um corpo sem cabeça de um cultista que Norvar enfrentou durante o combate. Nele foi encontrando um caderno com os dogmas dos cultistas e um amuleto de ferro. Enquanto isso, Andurion finalmente pode utilizar seu anel de bronze, abrindo três câmaras fechadas. Em uma delas, o grupo encontrou diversos escritos em dracônico.
Por fim, Norvar abriu a cela maior utilizando um pergaminho mágico. Dentro, estava uma aparição sombria com forma de draconato. O grupo enfrentou a aparição, com Conor finalizando o combate com uma explosão de chamas. Após resgatarem os tesouros de um grupo de aventureiros a muito tempo mortos, eles retornaram a caverna que encontraram no ninho da aranha, retornando a superfície e deixando a masmorra para trás. Acampando na entrada da caverna, eles conversam para decidir os próximos passos.
1. Retorno para Sidast Sterkur
Todos estavam cansados após o combate com a aparição, especialmente Conor. Ele havia esgotado todas suas energias no ataque poderoso que realizara, precisando ser carregado por Azzakh. Agora, o grupo estava a poucos passos da superfície, após explorarem o restante do nível inferior e encontrarem uma nova caverna que os levava cada vez mais para cima.
Aos poucos, eles foram capazes de sentir novamente o cheiro de ar livre. “Podemos montar o acampamento na boca da caverna”, disse Lumi olhando para o grupo. “Estaremos protegidos o suficiente para descansar e poder continuar nossa viagem.”
Cada um tomou seu papel em levantar o acampamento, enquanto Erebos, Andurion e Sin saíram para resgatar a carroça que havia permanecido na outra entrada para o complexo subterrâneo abaixo da cordilheira. Quando voltaram, o acampamento estava completamente montado, com os aventureiros finalizando alguns pequenos ajustes.
Lumi preparou uma fogueira para aquece-los e preparar a comida da noite. Norvar levantou e se posicionou a frente de todos e disse, “Precisamos agora decidir os próximos passos.” Cada um parou o que estava fazendo para se concentrar no meio-elfo.
“Agora temos a resposta para onde os cultistas estão com Vorsisax, mesmo não sabendo aonde exatamente. O diário encontrado por Coralina menciona o fato de que eles precisam de mais pessoas para o ritual, então precisamos ficar atentos a desaparecimentos e outros eventos que nos chame a atenção.”
Ele prosseguiu para explicar as opções que eles tinham agora. A primeira era retornar a Sidast Sterkur, para reportar sobre suas descobertas e visitar um lugar familiar para se prepararem antes de irem para as Montanhas Carmesim. A outra opção era ir para a cidade de Calêndula, em Nova Terra, devido sua proximidade com as montanhas.
“O único problema é que para se estar como aventureiros na cidade de Calêndula, vocês precisam se associar a uma guilda. Eu como membro da Armada da Noite não preciso disso e acredito que o Erebos também, mas para trabalharem como um grupo na região isso é necessário. Também podemos ir para a cidade após irmos a Sidast Sterkur.”
O grupo discutiu arduamente sobre o que fazer, se era melhor ir direto para o perigo ou antes se preparar melhor e obter mais informações sobre o que vem acontecendo na região. Por fim, decidiram que iriam retornar para Sidast Sterkur.
Antes de darem a noite como terminada, havia um assunto que todos estavam pensando, mas até agora não havia sido trazido a tona. “Erebos… o que foi aquilo que aconteceu durante o combate?”, perguntou Andurion ao mesmo tempo curioso e preocupado.
O guerreiro então contou ao grupo, principalmente os novos integrantes, sobre sua condição. “Eu possuo uma maldição chamada licantropia, que me torna capaz de me transformar… naquilo. Sei que pode parecer um pouco assustador, mas depois que entrei para a Armada fui treinado para manter aquilo sob controle.”
“Você tem controle total dessa transformação?” Conor talvez pela curiosidade inata que todos os magos possuem ou por ser nativo de Nova Terra, estava extremamente interessado em saber mais sobre a maldição. Além de curiosidade, transparência uma preocupação comum entre todos aqueles que conheciam os perigos envolvidos com um lobisomem.
“Então… não completamente. Recomendo vocês manterem distância de mim quando eu estiver bastante machucado, fica mais difícil de controlar. Fora isso eu consigo ditar quando me transformo ou não. Outro perigo é durante luas cheias, além de ser mais difícil de controlar, a transformação também fica mais forte.”
Aos poucos, através da conversa, Erebos foi quebrando as barreiras de preocupação dos seus aliados. Depois de um tempo, as perguntas deixaram de ser mais sobre os perigos potenciais que sua existência causava e passaram a ser mais sobre curiosidades sobre sua condição.
No dia seguinte o grupo acordou sob a presença do frio, o que tornou o início do dia um pouco mais lento. Eles estavam se preparando para uma nova jornada de retorno a Sidast Sterkur, que segundo os cálculos de Andurion e Erebos iria levar algo em torno de oito dias.
Preparados para a jornada, todos eles subiram na carroça e deram início a viagem. Agora, o Sol Azul estava mais presente, esquentando o dia e trazendo um clima mais agradável.
Não se tinha muito o que fazer durante a jornada, cada um encontrava algum tipo de atividade para ocupar o tempo. Com algumas horas de viagem, eles pararam a carroça para poderem esticar as pernas e descansar um pouco, ainda com as sequelas da exploração da masmorra.
Conor e Azzakh decidiram explorar a região ao redor de onde eles pararam, com um pouco de excesso de confiança. Eles vagaram pela região, observando a Floresta do Orvalho Refulgente ao longe. Sem que percebessem, um grupo de três anões se aproximaram dos dois, mas a uma distância de 3 metros anunciaram sua chegada.
“Saudações aventureiros”, falou o anão mais a frente. Conor e Azzakh olharam para trás levemente surpreendidos, mas não sentiram que eles de alguma forma ameaçavam os dois.“Meu nome é Mondhorn, e esses ao meu lado são Gulmar e Lasnera.”
O grupo de anões se apresentaram como membros dos Clérigos de Bronze, mesma ordem religiosa do qual Andurion e Lumi fazem parte. Eles disseram aos dois que estavam patrulhando pela região depois de vários relatos de criaturas estranhas no interior da floresta e de que ela estaria se tornando mais sombria. “Estamos em uma força tarefa conjunta com a cidade de Calêndula nessa investigação. Vocês presenciaram algo de estranho na floresta?”
Conor tomou a frente e disse, “Nada de criaturas e coisas estranhas, estamos de passagem pela região e não chegamos a entrar em regiões mais profundas da floresta. Porém, quando estávamos passando próximos a floresta vimos uma cabana completamente destruída, fica a um dia de viagem daqui.”
O mago deu mais indicações para os anões, inclusive comentando que conhecia Andurion e Lumi, o que arrancou alguns sorrisos daqueles indivíduos cansados. Quando se sentiram satisfeitos com as informações passadas, os anões se despediram e deram para eles um medalhão com o símbolo dos clérigos de bronze.
Ao retornarem, contaram para o restante do grupo o que havia acontecido. Quando Conor e Azzakh terminaram de contar o que havia acontecido, Andurion, Erebos e Lumi decidiram sair em uma caçada para garantir comida para todos eles antes de retomar a viagem.
Já era noite quando Lumi indicou para Erebos onde parar com a carroça para que eles montassem o acampamento. Todos se organizaram como agora estavam acostumados, com a anã puxando sua panela especial e se aprontou para preparar o cervo que havia caçado junto de seus aliados. O cheiro da comida era maravilhoso, uma forma perfeita de concluir o primeiro dia de viagem. Eles organizaram os turnos de vigília para que todos pudessem descansar e ficarem protegidos.
A noite estava tranquila e com um clima agradável, apesar do frio. Durante seu turno, Azzakh estava despreocupado com qualquer tipo de perigo, afinal haviam viajado até ali sem se encontrar com qualquer desafio que complicasse a jornada dos aventureiros. Pegou um de seus livros e se pôs a ler.
Ele acabou se distraindo mais do que devia, e quando percebeu uma onda de terra vindo para cima do acampamento já era tarde demais. Ele se desesperou e gritou o máximo que podia para acordar todos seus companheiros. A criatura saltou do subterrâneo para a superfície quando estava as margens do acampamento, revelando sua couraça de pedra.
Por sorte todos se preparam a tempo. Todos eles já estavam acostumados com os perigos da noite e removiam o mínimo de equipamento para descansar, para caso algo de ruim acontecesse, como o que estavam presenciando. “É um bulette, tenham cuidado e fiquem atrás de mim!”, brandou Andurion com sua voz imponente.
Eles iam se posicionando no combate ao mesmo tempo que o monstro se aproximou do anão em um saltou, abrindo sua bocarra e acertando ele com um golpe poderoso que o jogou no chão. Da couraça do bulette escorria ácido, que foi de encontro a armadura do anão o machucando mais ainda.
“Pelos nove infernos”, Coralina disse assustada com a cena. Ela preparou então sua lira e conjurou uma adaga mental, para dar tempo do anão sair daquela situação. O bulette ficou atordoado, o que permitiu que Azzakh e Erebos se aproximassem para proteger seu amigo. Preocupada, Lumi também se aproximou e pediu ventos gelados a Ymir, desejando enfraquecer a criatura enquanto havia tempo.
Todos eles sabiam que não era uma batalha fácil de se ganhar. Bulettes são um dos diversos perigos dessa região, sendo responsáveis por acabar com caravanas inteiras, destruindo os veículos e destroçando com os viajantes. “Acho que invadimos o seu território, e ele não tá nada feliz”, falou Lumi.
Erebos agora estava de frente ao monstro e desceu sua montante com força para cima dele. Apesar de não ter penetrado sua armadura, foi capaz de causar algum dano. Logo atrás, Azzakh pulou e desceu com um golpe com uma de suas manoplas e recuou com um chute na mandíbula do bulette.
Conor, Coralina e Norvar se organizaram para enfraquecer o máximo a criatura, com os dois primeiros tentando atordoar o monstro mais vezes e o meio-elfo lançando uma chuva de lanças púrpuras. Ele então se virou para os outros dois, “Cadê o outro amigo de vocês?”
O sumiço de Aladim se fez presente, surgindo neles um misto de preocupação de que ele havia sido pego pela criatura ou que tinha fugido. “Resolvemos isso depois, temos um perigo mais iminente a nossa frente”, Conor terminou a conversa.
Os conjuradores lançaram mais uma sequência de ataques, mas agora o bulette havia se levantado, exigindo com que eles recuassem. “Monstro maldito, me pegou de jeito”, Andurion levantou seu martelo pedindo força a Torden, girando seu corpo e atingindo o flanco do monstro. Se sua ira já não fosse suficiente, golpeou com seu escudo junto de um milagre estrondoso que fortaleceu o ataque.
Apesar de todos os golpes, parecia que o combate não iria terminar tão cedo. Erebos se forçou a olhar a lua, mesmo que não estivesse cheia teve o efeito que desejava. Mais uma vez na presença de seus novos aliados ele se transformou, uivando para a noite e saindo em disparada.
Assim como o anão, ele girou com sua montante, firmando seus pés e projetando toda sua força em um golpe certeiro. A carapaça agora havia rachado, devido a todos os ataques que recebera. O monstro estava ofegante, mas mesmo assim não desistia de expulsar os aventureiros de seu território.
Ele golpeou e abocanhou Erebos em retaliação ao seu golpe, exigindo que o guerreiro resistisse e tomasse uma posição defensiva. O grupo aproveitou sua vantagem numérica e a abertura criada pelo licantropo, desferindo mais golpes poderosos e desorientado o bulette.
“AGORA É A MINHA VEZ”, pela primeira vez o grupo escutou a voz de Erebos em sua forma de lobisomem. Ela saiu tão profunda e gutural quanto o rugido do bulette. O guerreiro segurou sua montante firme mais uma vez, e com um movimento vindo de baixo ele decepou uma das pernas do monstro.
Ele se mantinha por um fio, tentando agora escapar escavando para baixo, mas ele não foi rápido o suficiente. Andurion cravou seu escudo no chão próximo a criatura e golpeou com seu martelo, emitindo um som alto agudo propagado através do milagre que conjurava. O bulette agonizou diante de som tortuoso, desabando para sua morte.
O grupo todo respirava ofegante pelo encontro inesperado. Cada um deles conferiu o seu estado após o combate, com Andurion gravemente ferido pelo primeiro golpe do bulette, mas nada que não fosse tratado por Lumi. Eles começaram a analisar o monstro derrotado, buscando extrair algo da criatura como recompensa após o caos que foi o combate.
“Erebos, ajuda a gente a cortar a carapaça desse bulette?”**, disse Lumi enquanto analisava o corpo da monstruosidade junto de Andurion.
“Ajudo vocês sim, mas antes… algum de vocês viu o Aladim?”
2. O Desaparecimento de Aladim
“Nenhum sinal dele”, Coralina disse ao sair da tenda que pertencia a Aladim. “Tem alguns rastros de pegadas indo para norte saindo da tenda dele, talvez tenha alguma coisa.”
O grupo seguiu os rastros, questionando o que poderia ter feito ele sair assim sem avisar ninguém. “Existe a possibilidade dele ter saído e ainda não voltado”, disse Azzakh que seguia medusa.
Ela então parou e observou o solo com calma. “É uma possibilidade. O rastro acaba aqui, ou ele simplesmente desapareceu ou de repente ele ficou muito bom em ocultar suas pegadas. Não tem qualquer resquício de que ele continuou a caminhar ou voltou para o acampamento, parece que ele parou aqui e sumiu do nada.”
Os aventureiros ficaram vagando a procura de Aladim em vão, pois não encontraram nenhuma pista adicional. “Talvez ele volte durante a noite, precisamos descansar”, disse Conor. Cada um então foi dormir receoso sobre o que poderia ter acontecido.
Coralina foi a primeira a acordar, após um pesadelo de que a criatura que haviam derrotado na verdade seria o próprio Aladim. Ela foi até a carroça para pegar algo para mastigar pela manhã, quando viu no seu piso um anel feito de ouro bruto, o mesmo utilizado por Aladim. Passou pela sua cabeça pegar o anel e avisar o grupo, mas algo dentro dela disse que isso não era necessário, o anel poderia ficar com ela por mais tempo. Ela pegou uma algibeira que carregava na cintura e colocou o objeto dentro.
Ao redor do fogueira apagada, o grupo se reuniu para discutir mais uma vez o que aconteceu com Aladim. Enquanto se reuniam, Erebos notou a aproximação de Sin, que acabava de retornar de uma caçada bem sucedida. “Então você foi caçar garoto, muito bem”, ele então afagou o pelo do lobo. “Não ia fazer bem para você ter participado do combate de ontem mesmo.”
Os aventureiros prosseguiram para conversar sobre a situação. “Vocês sabem que seu amigo não é quem parece ser, correto?”, disse Conor olhando para Azzakh e Erebos. “Eu notei já faz alguns dias de que ele usa algum tipo de magia para ocultar sua aparência verdadeira.”
“Nós sabemos disso”, os dois falaram em uníssono. “Ele tem os problemas dele, é um sujeito estranho certamente, mas não acredito que seja maldoso ou qualquer coisa do tipo. Olhando desse jeito, eu sou uma ameaça tanto quanto ele”, concluiu Erebos.
“Alguém achou mais alguma coisa?”, Lumi disse e Andurion notou o recuo de Coralina em falar alguma coisa.
“O que você encontrou medusa?”, disse o anão.
Ela resistiu a intenção de guardar a verdade e tirou da algibeira o anel. “Encontrei o anel dele no chão da carroça”, ela segurava o anel com uma mão, fazendo o olho da maioria deles crescer e desejar ter o anel para si. Andurion, Conor, Erebos e Norvar notaram que o restante do grupo olhava para o acessório de forma diferente deles.
Todos começaram uma discussão incessante de quem deveria ficar com o anel, com argumentos de quem seria mais digno de guardar até que Aladim retornasse. Apesar de não estar tentado pelo anel, Andurion tomou a frente de todos para impedir que Coralina ficasse com anel, por achar que ela era uma ladra e continuaria sendo uma. Conor, notando a confusão que vinha crescendo, decidiu tomar a frente para impedir que eles digladiarem sob a posse do anel.
“A melhor pessoa para ficar com o anel é o Erebos. Ele já conhece o Aladim a mais tempo e claramente ele tá fazendo um efeito estranho sob vocês. Talvez esse efeito não afete a ele.”
Em meio a reclamações, Andurion cedeu e entregou o anel a Erebos. Antes que ele guardasse, Conor decidiu utilizar uma de suas magias para enxergar além do que seus olhos poderiam ver, e observou crescer uma aura mística do objeto — e ligeiramente profana —, mais poderosa do que qualquer outra coisa que ele já viu. Ele contou isso ao grupo e disse que mesmo com o anel guardado conseguia distinguir claramente sua silhueta de tão forte que é sua aura.
Preocupados com essa informação, Andurion e Lumi ofereceram tentar algum tipo de ritual para obter mais informações sobre o que era o anel. Eles se preparam e se posicionaram em torno dele, utilizando alguns recursos que destinavam para orações e rituais dos seus deuses. Pacientemente aguardavam algum tipo de resposta sobre o objeto.
O tempo ficou mais frio para Lumi, e ao longe Andurion foi capaz de escutar o som de um trovão. O mundo pareceu fechar para os dois, como se o anel fosse tudo que existisse. Isso veio junto de uma sensação de calafrio nos dois. O ritual terminou quando eles escutaram uma risada maléfica vindo do objeto, acompanhado de uma resposta.
Os dois recuaram, com uma certeza em mente: o anel possuía dentro de si uma presença maligna e, de alguma forma, aprisionava Aladim dentro de si. O bruxo utilizou o anel diversas vezes na frente de todos, demonstrando sua capacidade de aprisionar objetos e devolvê-los a ele conforme o necessário, mas nunca viram ele aprisionar algo vivo.
Muito pelo contrário, isso era algo que Aladim sempre disse não ser capaz de fazer.
Agora que tinham uma noção sobre o paradeiro de Aladim, apesar de não saberem como resgatá-lo de seu aprisionamento, a única coisa que restava para o grupo fazer era seguir viagem. O combate com o bulette deixou todo o grupo esgotado, o que levou a eles serem ainda mais cautelosos durante a viagem.
A cada viagem e noite de acampamento eles evitavam ao máximo qualquer tipo de perigo ou contato com coisas estranhas. Andurion e Erebos, por serem responsáveis por conduzirem a carroça eram os que mais se preocupavam com perigos em potencial. Eles até mesmo evitavam comentar com o grupo qualquer anormalidade durante a viagem, para não despertar a curiosidade de ninguém e acabar exigindo com que eles se esforçassem para além do habitual.
Por fim, foi na noite do 20º dia de Zaeso que o grupo de aventureiros finalmente retornou a cidade de Sidast Sterkur. O animo tomou conta da maioria, por agora estarem em um local familiar a todos e pelo desejo comum de uma cama de estalagem. Só um deles parecia mais preocupado do que antes.
Enquanto conduzia a carroça, Erebos olhou para o céu noturno que apresentava poucas nuvens e uma lua quase cheia.



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