Eu não lembrava que fazia tanto tempo que não tínhamos publicação da campanha, mas hoje retornamos! E com uma novidade, agora a publicação da campanha do Mundo de Vordel será mensal! A ideia é que elas sejam publicadas toda segunda sexta do mês, e quem acompanhou os stories da página no começo desse ano já sabe que eu e meu grupo jogamos uma sessão além dessa, para que isso seja possível.
Se tudo der certo, eu e meu grupo teremos uma sessão todo mês, para que as publicações fiquem a duas sessões de distância de onde estamos “canonicamente”. Recomendo acompanhar tanto o Instagram quanto o TikTok do FlameReaper, onde costumo compartilhar algumas coisas da nossa campanha, assim como vídeos da gente jogando e outras coisas interessantes.
Falando em conteúdos sobre o Mundo de Vordel, nessa segunda saiu a publicação O que é o “Mundo de Vordel” ?, onde explico mais sobre o cenário que jogamos. É uma leitura adicional que recomendo para quem se interessar em conhecer mais de Vordel. E não para por aí, já que todo mês irei explorar outros aspectos.
Agora vamos descobrir o que tem no restante daquela masmorra.
Anteriormente
Na última sessão, nosso grupo de aventureiros adentrou as ruínas de uma masmorra anã com um objetivo em mente: recuperar informações sobre o desaparecimento de Vorsisax. Com Norvar como guia, eles exploraram seus corredores e salas, enfrentando esqueletos apodrecidos, coletando chaves estranhas e discutindo sobre qual sala ir primeiro.
Posteriormente, Andurion, Azzakh e Conor entraram juntos em uma longa sala, com a atenção dos três sendo tomada por um pedestal com um tomo da norma anã. Depois de muito interagirem com ele, desconfiando de que ele escondia algo por trás devido a sua aura mágica rústica, eles descobriram uma passagem secreta que levava até o nível interior da masmorra, que foi ativada quando o tomo fora aberto em uma página específica.
Eles desceram uma longa escadaria, para depois descobrirem que não possuíam a chave de uma porta, precisando retornar e explorar mais. Foi então que no cômodo de um dos chefes do local eles encontraram mais uma chave, esta feita de ouro, e uma pintura que retratava o momento de planejamento da masmorra. Após descerem mais uma vez e destrancarem a maldita porta, eles enfrentaram uma aranha gigante infectada por fungos das cavernas inferiores, queimando todos eles junto da monstruosidade, abrindo passagem para continuarem sua aventura.
1. O Nível Inferior
Conor observou uma das múltiplas cinzas do incêndio se desfazer no ar, conforme o grupo se voltava para Norvar, que estava prestes a ativar a alavanca cujo o propósito ainda era um mistério. Todos se reuniram ao redor dela, e com cuidado o meio-elfo puxou ela para baixo mais uma vez.
O barulho de engrenagens e pedra chegou até os ouvidos dos aventureiros. “Típica inventividade anã”, pensou Andurion. Eles então avançaram para área posterior ao ninho destruído da aranha, que ainda não havia sido explorada por eles.
Como já de costume, tanto Aladim quanto Lumi foram para frente do grupo, observando o ambiente com calma em busca de outros perigos ou pontos de interesse. O que chamou a atenção deles primeiro foi o portão de ferro que se erguia lentamente, consequência da alavanca que haviam ativado. Além disso, na região oposta de onde estavam havia uma outra passagem, com um muro de pedras destruído levando para uma área mais cavernosa. Marcas de explosão ainda eram visíveis pelas paredes e pelo chão, indicando o que destruiu o muro de pedra.
Novar alcançou os dois antes que eles decidissem entrar na caverna.
“Vamos continuar. Provavelmente esta caverna se conecta ao complexo subterrâneo da cordilheira e deve nos levar de volta para a superfície, ou próximo disso. Podemos verificar isso depois.”
O grupo concordou, e seguiu pela passagem aberta pela alavanca.
“Essa área é familiar para você Norvar?” Conor perguntou conforme eles caminhavam.
O meio-elfo então parou e observou o ambiente.“Sim, esse é o nível inferior da masmorra. Eu e os outros descemos por um caminho mais tortuoso.”
Os dois foram conversando, enquanto o grupo ia em direção a uma bifurcação onde um lado levava para um corredor e o outro para uma área mais ampla.
“Essa área ampla é por onde viemos. Descemos por esse buraco no teto que antes era o poço de um elevador utilizado na masmorra. Enquanto descíamos com a ajuda de uma corda fomos atacados por espíritos nervosos. Não tem muito o que ver ali, podemos ir para o corredor se quiserem.”
“É, mais uma vez utilizamos um caminho não convencional.” Erebos disse olhando Azzakh e Aladim.
“Como assim?” disse Coralina ao se aproximar.
“Um dia te conto essa história,” Erebos disse enquanto ajustava a montante em suas costas. “Vamos andando.”
Um atrás do outro eles foram, passando pelos corredores da masmorra. Após virarem a esquerda viram pela primeira vez estruturas de celas. Eram oito no total, com todas elas com grades torcidas e destruídas, tanto pela ação do tempo quanto pelo que quer que tenha acontecido no passado.
Depois relativamente curto caminhando e investigando, após virarem mais uma vez na mesma direção, se depararam com mais uma bifurcação, parecida com anterior, mas tomada por destroços. “Foi aqui que tudo aconteceu,” disse Norvar.
O local ali era mais amplo, um corredor onde era possível três deles passarem lado a lado, com duas portas de metal maciço marcado por runas e sem qualquer tipo de fechadura, e mais uma idêntica a esquerda, com destroços bloqueando onde deveria estar seu par. Ao final do corredor, uma enorme porta de mais ou menos três metros de largura e altura — e que compartilhava as mesmas características das portas menores — parecia intocada pelo tempo e pela destruição.
Porém, não era isso que chamava mais atenção dos aventureiros, e sim o corpo imóvel e sem cabeça jogado no chão. “Esse é um dos cultistas que consegui matar durante o combate, mas os corpos dos meus companheiros foram levados.”
Rastros de sangue marcavam o chão, indicando que ali havia mais corpos que foram arrastados pelos cultistas. O corpo que restava demonstrava marcas de combate em suas vestes mundanas e sua pele. Suas roupas não deram nenhum tipo de pista para Conor e Coralina que investigavam a cena com olhos atentos.
A barda se abaixou próximo ao corpo, mexendo em seus bolsos a procura de algo a mais, e ela encontrou. Primeiro ela puxou um amuleto de ferro, marcado com o símbolo de duas mãos oferecendo um coração. Ela então decidiu ir mais a fundo, e encontrou um pequeno diário de couro.
Coralina levantou enquanto folheava o diário do cultista morto. “O que você encontrou?” disse Conor.
“Um diário, cheio de baboseira de culto, mas com algo que nos interessa,” ambos agora liam a página aberta pela barda. No diário encontrava-se além dos dogmas do culto, descrições sobre como através de um ritual iam roubar os poderes de Vorsisax, e — o mais importante — onde que isso iria acontecer.
“O ritual vai acontecer em um local de poder, em um templo no subterrâneo das Montanhas Carmesim,” disse Cora ao grupo. “E tudo que impede deles executarem o ritual de uma vez é que eles precisam de mais pessoas ‘peculiares’.”
“Onde que fica essas montanhas?” perguntou Aladim.
“A leste daqui, próximo a Grande Floresta Feérica,” disse Erebos. “Eu passei por uma cidade próxima a ela durante minha vinda ao reino dos anões. Não é tão longe de Sidast Sterkur, mas é distante de onde estamos agora.”
“Bom, conseguimos o que eu queria,” Norvar disse ao se aproximar. “Agora vamos ao que é do interesse de vocês, principalmente daqueles que contratei anteriormente. Ainda falta metade do caminho até resgatarmos Vorsisax, e eu devo a vocês um tesouro.”
2. A Câmara Trancada
Andurion, Conor, Coralina e Lumi se aproximaram para escutarem melhor. “Como podem ver, aqui temos algumas salas trancadas e eu e Vorsisax falhamos em abrir esta última porta maior. Com isso em mente, desta vez eu me preparei e trouxe um pergaminho arcano capaz de abrir o selo dela. As portas menores também estão trancadas, mas sabem o que dizem os aventureiros: “Quanto maior a porta maior a recompensa’.”
Antes de utilizarem o pergaminho, eles decidiram observar melhor as portas menores. Norvar não tinha nenhuma ideia sobre o que poderia abrir elas, mas sabia que as runas marcadas no metal estavam relacionadas a isso de alguma forma.
Nenhuma fechadura ou alavanca era a resposta para o que procuravam. O grupo em conjunto pensou em diversas possibilidades, e foi ai que uma luz iluminou o pensamento de Andurion. “O anel! É claro! Se ele não foi capaz de abrir nenhuma porta até agora, nenhuma com fechadura, talvez ele seja capaz de abrir uma porta que não tenha uma.”
Ao aproximar o anel de bronze de uma das portas menores, sua runa brilhou intensamente e ela se abriu. A sala revelada era pequena e vazia, mas suas paredes estavam todas marcadas com arranhões desesperados. Conor entrou junto de Andurion, e viu que não eram meros arranhões, mas sim mensagens deixadas por alguém que ficou preso ali.
“’Ficarei aqui para sempre’,” Conor lia as mensagens deixadas conforme passava as mãos na parede. “‘Nós descobrimos a caverna. Liberdade. Um escapou. Eu tentei escapar’,” algumas dessas inscrições se repetiam mais de uma vez, e cada vez que se repetia era mais difícil de entender seu conteúdo.
“Parece que alguém não estava muito feliz em ficar preso aqui,” disse Conor. “Isso e o que encontramos lá em cima deixa claro como essa masmorra era utilizada.”
As demais salas eram da mesma forma, mas nas outras nem nenhum tipo de marcação fora deixada. Andurion aproximou seu anel da grande porta, curioso com qual seria o resultado. Nela, as runas formavam um grande círculo, e ao encostar sua mão um terço das runas se ascenderam, com a porta permanecendo imóvel.
Ele manteve a mão por mais tempo, agora analisando o seu material. “Adamante. Os anões que construíram essa masmorra queriam garantir que não fosse fácil abrir essa sala. Tem certeza que ai vai ter algum tesouro Norvar?”
“Só abrindo para descobrir, apesar de ser pequena a probabilidade agora. Mas de qualquer forma acho improvável que mesmo com a destruição da masmorra essa sala tenha sido aberta, então é capaz de encontrarmos algo.”
Norvar segurou o pergaminho mágico em direção a porta, e rompeu seu selo. Conforme o abriu, suas letras se iluminavam e desapareciam, indicando que a magia guardada por ele estava sendo conjurada. Ao mesmo tempo que isso acontecia, as runas da porta de adamante foram se iluminando, até que todas estivessem acesas.
Poeira escorria pela porta conforme ela se levantava, revelando escuridão. A partir da metade, quando ela estava quase completamente aberta, a sala guardada por ela se iluminou por completo. Ela não era pequena igual as outras, e certamente não era vazia.
Quatro corpos apodrecidos estavam caídos dentro da sala, e no centro paralisado estava uma figura assombrosa feita de sombras. Essa aparição possuía a forma de um draconato bestial, com garras proeminentes e olhar vazio. Do torço para baixo ele não tinha forma, e permanecia naquele instante ainda em seu torpor secular. Quando a porta terminou de abrir e revelar completamente a sala, ele levantou seu pescoço de forma errática e seus olhos antes vazios se tornaram vermelhos e cheios de ódio.
O grupo avançou rapidamente ao combate, prevendo a reação violenta da criatura. Azzakh foi o mais rápido, correndo em direção a ela enquanto pensava no que fazer. Como já imaginava, seus golpes trespassaram as sombras sem qualquer impedimento, acompanhado de uma sensação gélida e vazia.
“A criatura é incorpórea!”, ele gritou para seus aliados, se posicionando entre eles e a criatura buscando proteger os que estavam atrás. Um pouco antes de terminar de falar, a aparição sombria agarrou seu pescoço com as duas mãos e aproximou sua face morta-viva do monge, urrando em horror para intimidá-lo.
A sensação gélida voltou mais uma vez, sentindo a intenção do draconato em sorver sua vitalidade. Azzakh se manteve firme, resistindo aos efeitos impostos por ela. “Não se aproximem!”, mais uma vez gritou, agora agonizando em resistência.
Aladim, Conor, Coralina e Norvar se espalharam pela sala, começando a conjurar suas magias contra a criatura. Das mãos do meio-elfo sairam seis setas púrpuras, que acertaram o peitoral e o rosto da aparição. “Eu tenho uma ideia,” Andurion falou para Erebos e Lumi enquanto os outros duelavam com o monstro. “Aproxima sua montante do meu martelo.”
Erebos segurou sua montante junto ao martelo de Andurion, com o clérigo iniciando um ritual sob suas armas. “Que Torden nos dê bravura para enfrentar esse inimigo vil,” uma luz azulada tomou conta das armas e os dois seguiram em marcha conjunta contra a aparição, para junto de Azzakh chamar a atenção dela para que não fosse atrás dos outros.
O dracodine recuou com a chegada do golpe dos dois, que diferente dos seus, surtiu efeito contra as sombras que formavam a criatura. Lumi se posicionou em meio a eles junto ao lobo do grupo, que acompanhava e protegia Erebos nos combates, ajudando-os com suas preces curativas. Com o sucesso no ataque dos dois, a aparição voo em fúria para cima dos dois, passando por entre eles em meio a um duelo épico enquanto tentava drenar a vitalidade deles.
Mais uma leva de magias foi conjurada, algumas mais bem-sucedidas do que outras, livrando os duelistas de suas garras. Andurion se aproximou de Azzakh e concedeu a manopla do monge a mesma benção que colocara em sua arma.
Os três se juntaram contra a aparição, com golpes vindos de todos os lados. Mais e mais furiosa a aparição parecia conforme ia perdendo sua força, até que com um grito estrondoso se livrou dos atacantes, desferindo golpes poderosos contra eles.
“Isso já tá me dando no saco,” disse Erebos ao apoiar sua montante no chão. “Precisamos de mais força.”
“Erebos!”, Conor gritou. “Preciso que vocês três deixem a criatura parada no lugar, eu tenho um plano.”
“Pode deixar comigo. Não pretendia usar isso agora, mas acho que não vai ter jeito.”
Andurion e Azzakh estavam cada vez mais cansados conforme resistiam para que não fossem furtados de sua vitalidade pela aparição. Em meio ao cansaço eles escutaram um som gutural estranho e animalesco vindo de trás deles, seguido de um uivo ensurdecedor. Ao olhar para traz que eles viram o que estava acontecendo.
Erebos rasgou a própria pele, revelando sua outra face. Um rosto lupino emergiu em meio ao sangue, de pelo negro e rubro, e com olhar de predador. Em um salto ele se jogou contra aparição, forçando sua montante abençoada pelo milagre de Torden contra o corpo do draconato.
Aparição e lobisomem se encavaram ferozmente. O corpo de Erebos agora era ainda maior e ele possuía força suficiente para aguentar os efeitos causados pela criatura. Ela tentava usar de sua forma incorpórea para se livrar do guerreiro amaldiçoado, mas a benção imbuída na montante era mais forte.
Enquanto isso acontecia, Conor reunia o máximo de energia arcana que conseguia para conjurar uma explosão de chamas mais poderosa do que a última. Um calor intenso estava se formando em suas mãos, era a primeira vez que conseguia reunir tanto poder depois de muito tempo.
Ele segurou a reação de soltar a magia pelo máximo de tempo que conseguia, esperando a abertura perfeita. Erebos olhou para ele e entendeu o que ia acontecer. Segurou a aparição por um pouco mais de tempo, então apoiou suas pernas de licantropo e saltou para trás no tempo certo, conforme uma onda de chamas foi conjurada pelo mago.
Conor concentrou toda sua magia em cima da aparição, intensificando cada vez mais as chamas até que tivesse certeza de que o trabalho estivesse concluído. Poucos segundos pareceram uma eternidade. Quando o fogo desapareceu, não existia mais nenhuma sombra fantasmagórica para se preocupar.
Nenhuma palavra foi dita durante os primeiros segundos após derrotaram a criatura. Era possível escutar apenas a respiração ofegante de todos eles, principalmente de Conor e Erebos, que agora não estava mais em sua forma de lobisomem.
“Isso foi inesperado e estranho,” disse Andurion.
Compreendendo o que havia acontecido, cada um começou a bater a poeira de suas roupas. Lumi foi ao auxílio de cada um deles, tratando os ferimentos do combate e oferecendo água de seu cantil aos mais cansados.
Ela observou Erebos de perto, que estava sentado junto de Sin e acariciava a pelagem do lobo. Ele não demonstrava nenhuma ferida causada pela transformação, apenas aquelas deixadas pela aparição no confronto entre os dois.
“Ótimo trabalho Conor,” disse Norvar ao se aproximar do mago ofegante. “Fiquei impressionado com sua capacidade.”
“Obrigado,” disse ele olhando o meio-elfo de baixo para cima. Ele exibia uma confiança e segurança após enfrentarem, como se o trabalho estivesse quase concluído.
“Toma, isso é um presente meu para você,” ele estendeu sua mão para Conor e entregou um rubi com uma energia nebulosa e vermelha dentro de si. “Isso não tem mais serventia para mim, mas pode ser útil para você mais a frente.”
Conor observou ele se afastar tranquilamente, enquanto analisava o rubi em sua mão.
“Você também fez um ótimo trabalho Erebos,” o guerreiro exausto e caído o seguiu com o olhar. Ele notou que Norvar agora tinha uma diferença de postura em relação a ele, como se algo agora fizesse sentido.
Com o bem-estar do grupo garantido após o combate, Conor e Coralina se reuniram para investigar os corpos que estavam trancados na câmara.



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