Mundo de Vordel #18 – Ritual Profano, parte 5: Novo Reino, Novos Problemas

Mundo de Vordel #18 – Ritual Profano, parte 5: Novo Reino, Novos Problemas

Estamos na 18º adaptação das sessões da campanha do Mundo de Vordel, e o episódio de hoje é especial! Foi uma sessão voltada bastante ao roleplay. Não tivemos um combate se quer — apesar de um dos meus jogadores quase ter causado um caos, como vocês vão ver —, mas foi uma sessão de revelações interessantes e também com a definição do nome do grupo.

A partir do próximo episódio, o nome dessa campanha vai ser levemente alterado para refletir essa “nova etapa”. Espero que vocês que estão acompanhando essa jornada de sete aventureiros estejam se divertindo bastante.

Dois grupos de aventureiros se uniram com um propósito: resgatar um draconato, membro da Armada da Noite, que foi sequestrado por cultistas durante uma missão no qual explorava as ruínas de uma masmorra anã. Unidos como um, eles exploram Drazenia e se aventuram resolvendo problemas — e algumas vezes causando — diversos, enquanto desvendam tramas nefastas e descobrem mais sobre o passado de cada membro.

Aladim Mubarak Axefárida

Um misterioso bruxo vindo de terras distantes dono de habilidades e poderes ocultos dos quais conhece pouco sobre.

Andurion Escudo-do-Trovão

Um anão membro dos Clérigos de Bronze e cavaleiro dos Guardiões do Martelo, casca grossa em batalha e extremamente honrado.

Azzakh, Palmas Douradas

Dracodine monge da Ordem do Guardião Dourado, forte, inocente e com o coração no lugar certo.

Conor Blackwood

Um jovem humano mago muito habilidoso, mas ainda inocente, que vem desbravando as terras a procura de conhecimento arcano.

Coralina

Uma medusa barda que abandonou a vida de nobre para viajar por Drazenia aperfeiçoando sua arte.

Erebos Antoniou Argyros Fasharash

Meio-elfo membro da Armada da Noite, de olhar intenso e porte físico poderoso que demonstra sua força de guerreiro.

Lumi Raposa-da-Montanha

Clériga de Ymir e integrante dos Clérigos de Bronze, exala gentileza, ótima cozinheira e que possui a habilidade de sentir a chegada de neve.

Na nossa última sessão, nosso grupo de aventureiros saíram da antiga masmorra anã vitoriosos, encerrando a noite com um descanso merecido e decidindo os próximos passos de sua jornada. Antes de enfrentarem a aparição, eles descobriram a localização do ritual que será feito pelo culto e, para resgatar Vorsisax, eles irão precisar ir até a região subterrânea das Montanhas Carmesim, em busca de antigo templo que foi citado no diário que encontraram.

Pela manhã todos se preparam para deixar a entrada da caverna da masmorra, enquanto discutiam sobre retornar a Sidast Sterkur ou ir direto para Calêndula, a cidade mais próxima das Montanhas Carmesim. Por fim, decidiram voltar para o forte anão para posteriormente adentrarem o reino de Nova Terra. A jornada foi tranquila em grande parte dela, até que em uma certa noite o grupo de aventureiros foi atacado por um bulette selvagem, que tentava expulsa-los de seu território.

Eles foram vitoriosos, porém notaram que um de seus membros, Aladim, não se encontrava em sua cabana. Durante a madrugada e a manhã seguinte eles investigaram o seu desaparecimento, encontrando apenas a sua aliança mágica, que causou uma certa disputa sobre quem deveria guardar ela até que o bruxo aparecesse novamente.

Antes de retomarem a jornada, Andurion e Lumi conduziram um ritual para obter algum tipo de resposta sobre o paradeiro de Aladim, descobrindo por fim que ele estava de alguma forma dentro da aliança. Sem ter mais o que fazer, eles decidiram seguir viagem, chegando em Sidast Sterkur no 20º dia de Zaeso.

Os aventureiros agora se encontram na metade do caminho para as Montanhas Carmesim, conforme adentram Sidast Sterkur para receberem o descanso merecido antes de continuarem a jornada. Eles decidem ir até a Casa de Torden, taverna e estalagem familiar a todos eles. Após comerem e conversarem nos salões tomados de alegria, risadas e a doce música de Cora, o grupo se direcionou para o grande quarto que reservaram para sua noite de sono.

Erebos, dentre todos, estava especialmente esgotado, por ser aquele que conduz a carroça praticamente durante todo o percurso. Mesmo cansado, seu sono foi interrompido por pesadelos misteriosos de corredores de um castelo feito de uma areia negra, um cenário completamente desconhecido para ele.

Quando acordou em meio a madrugada, notou que ao seu lado sua algibeira que continha a aliança de Aladim estava tremendo descontroladamente. Ele estendeu seu braço, pegando primeiro sua montante e na sequência a bolsa. Alguns membros do grupo foram acordados pela movimentação inesperada, presenciando o que incomodava o guerreiro.

Ao abrir a algibeira, ela começou a derramar areia sem que seu fluxo pudesse ser interrompido, e da mesma cor do pesadelo de Erebos. “Peguem aquele balde para mim.”

Andurion se levantou e com um passo apressado pegou o balde que descansava no canto do quarto, agora sendo utilizado de recipiente para a toda a areia que era derramada. O grupo estava confuso e sem saber o que fazer, enquanto Erebos permanecia com a algibeira em cima do balde.

Todos notaram então que a areia parecia começar a tomar uma forma estranha, se moldando em uma forma humanoide. Ela se tornou mais densa, formando aos poucos a aparência de Aladim. Os mais atentos notaram que, conforme surgia, algo que parecia ser uma pele escura como rocha, era coberta por uma segunda camada da aparência anã.

“Aladim!?”, disseram Erebos e Coralina enquanto testemunhavam a cena.

O bruxo surgiu confuso, se endireitando no balde apertado que estava. “Pessoal… porquê estou dentro de um balde?”

Andurion interrompeu, ao mesmo tempo transtornada e furioso com a volta do ser misterioso. “Nós que fazemos as perguntas aqui. Onde estava!? Porquê carrega um objeto maldito e se esconde atrás da aparência de um anão?”

Tomando noção do ambiente, Aladim tentou acalmar o grupo, dizendo que não se lembrava do que aconteceu com ele. Só que durante a noite ouviu sons estranhos e de repente aparecerá ali, sem qualquer memória dos eventos que aconteceram entre as duas coisas.

“Quanto a minha aparência… eu a oculto pois não acho que vocês vão receber de bom grado quem eu sou. Pelo menos em minha terra natal eu precisava me manter escondido a todo momento. Confiem em mim por favor.”

Andurion e Lumi pareciam desconfiados de sua explicação, sentimento que talvez fosse motivado pelas revelações concedidas pelo ritual que conduziram. Já Conor e Erebos não pensavam outro coisa além de voltar a dormir.

“Vamos dormir, outra hora a gente vê isso”, resmungou o jovem mago.


No dia seguinte, o grupo se reuniu mais uma vez nos salões para decidir os próximos passos.

“Erebos ainda não desceu?”, disse Aladim.

“Ele quer descansar mais, meio que você interrompeu o descanso dele”, falou Azzakh. “Acho justo já que ele que vai dirigir.”

O clima ainda estava tenso por causa da repentina aparição de Aladim, mas pelo menos por enquanto, eles decidiram aceitar a explicação do bruxo e focando na ideia de que agora tinham um problema a menos. Porém, eles ainda tinham uma coisa a resolver.

“Segundo nosso amigo licantropo, precisamos nos preparar para a lua cheia”, disse Andurion.

“Eu tive uma ideia, vou sair para a cidade a procura de uma coisa, não precisam me esperar”, disse Conor conforme se levantava da mesa e ia em direção a porta.

“Bom, e o resto? O que vão fazer?”

“Nós temos aquele quadro que achamos na masmorra e que tá na posse de Aladim”, falou Coralina. “Estava pensando em vender ele.”

“Ok…”, disse o anão estreitando os olhos levemente desconfiado. “Acho que podemos então enquanto Erebos não acorda ir pegar suprimentos para viagem para estarmos prontos para quando Norvar vier nos encontrar.”

Cada membro do grupo ficou responsável por algum preparativo para a viagem, seguindo as orientações do anão.

Coralina foi até a parte mais nobre da cidade, pegando uma caixa e fazendo um palanque improvisado para anunciar o quadro encontrado pelo grupo de forma galante e altiva, o que chamou a atenção de um nobre excêntrico que queria o quadro a qualquer custo, o adquirindo por um bom preço.

“Agora aquele anão vai ver do que sou capaz!”

Porém, antes de retornar, ela decidiu passar em uma padaria, pegando um dos maiores bolos que eles tinham. A barda então foi até o distrito de Nova Terra, procurando por um local com crianças brincando na rua, se deparando com um grupo de crianças humanas se divertindo em uma cidade anã. Ela distribuiu fatias do bolo entre todas as crianças, vendo seus sorrisos alegras e guardou um para si.

“Feliz aniversário para mim…”


Com os suprimentos em mãos, Aladim, Andurion, Azzakh e Lumi retornaram a Casa de Torden, se encontrando com um Erebos recém acordado. O anão puxou ele e o bruxo para uma conversa particular, para entender mais do que poderiam fazer caso ele se transformasse durante a lua cheia.

Em meio a muitas ideias, uma ganhou destaque incentivada pelo próprio guerreiro. “Acha que grilhões de prata irão resolver?”, falou o anão.

“Acredito que sim. Apesar de eu ser mais resistente ao metal graças ao ritual que eu passei para controlar a maldição, se eu me transformar graças a lua cheia prata vai se tornar a melhor amiga de vocês.”

Enquanto conversavam, Conor vinha chegando emburrado e sem nada em suas mãos. “Inferno de cidade!”

“Não fale assim meu jovem. O que lhe irrita?”, disse Andurion.

“Tentei procurar por um alquimista experiente, pretendia pegar uma boa dose de qualquer sonífero para utilizar no guerreiro caso fosse necessário. Porém, o que eu encontrei não era tão experiente e nem continha o que eu desejava.”

Novar chegou depois de alguns minutos, com Cora vindo logo em seguida, triunfante com seu sucesso na venda do quadro. “Consegui setenta e oito peças de ouro por aquele quadro!”

O anão de fato ficou impressionado, contando o valor de olhos arregalados e impressionado com a honestidade da barda. “Acho justo dividirmos esse valor entre todo o grupo e não apenas entre eu, Coralina, Conor e Lumi.”

Todos aceitaram de bom grado a quantia.

Antes de saírem da cidade para dar sequência a viagem, Erebos e Andurion foram até um ferreiro e adquiriram os grilhões banhados a prata, após um tempo de espera.


A confiança no ato de viajar parecia tê-los tornado imunes a problemas durante a jornada de quatro dias até Calêndula. Bom, um grupo de gnolls tentou interromper essa calmaria, mas Andurion e Erebos prontamente os intimidaram para que não interrompessem sua viagem.

O caminho até o condado se fazia por uma paisagem rochosa, que se transformou após passarem a ponte que conectava os reinos de Convrad e Nova Terra, os levando para uma planície até então tranquila que colocava em dúvida o nome “Vales Rochosos” para toda a região.

Era a primeira vez que Aladim e Coralina entravam em Nova Terra, com expressões curiosas que se diferiam dos demais, familiarizados com os problemas do reino que conheciam de perto, e não apenas por relatos distantes.

“Bom, acredito que a maioria saiba, mas vale o aviso de qualquer forma. Parte do povo de Nova Terra costuma ter problemas com não-humanos. Acredito que em Calêndula isso não vai causar muitos problemas a nós, por ser tão próximo de Convrad. De qualquer forma, lembrem-se disso.”

Eles chegaram na cidade de Calêndula ainda pela manhã. Um dos guardas que os recepcionaram, os direcionou para fora da rua da entrada, para que pudessem questionar o que o grupo fazia em Nova Terra.

“Bom dia. Quem são vocês e qual o propósito de vocês na cidade?”

Erebos tomou a frente, dizendo baixo ao anão e Novar de que cuidaria disso. “Somos um grupo de aventureiros vindos de Convrad para Calêndula, para tratar de assuntos da Armada da Noite.”

“Tem algum documento que comprove isso?”

Erebos engoliu a seco, transtornado como se sua palavra e vestimentas não provassem o suficiente. Norvar estendeu ao guerreiro o documento no qual todo o grupo firmou, junto dele e das autoridades de Sidast Sterkur, o trabalho que seria feito por eles.

“Parece verídico. Já são registrados na Grande Guilda?”

“Não…? Acabamos de chegar no condado”, respondeu Erebos.

“Pois se registrem caso queiram agir como aventureiros no nosso reino sem arranjar mais problemas. Deixe eu ver quem vem junto de você na carroça.”

Ele foi até a parte de trás, que teve as cortinas abertas por Erebos para que visse seus companheiros, tomando conhecimento sobre cada um.

“Muito bem, estão liberados. Vão direto para a filial da guilda na cidade.”

Erebos resmungou em silêncio, conforme guiava os três cavalos para retornar a estrada.

A cidade era bela, com uma aparência campestre e ao mesmo tempo nobre. Com edifícios com tijolos feitos de pedra calcária cuidadosamente posicionados e expostos na medida certa, com belas vigas e portas de madeira, complementadas pelos belos jardins de flores e grama verde de cor viva.

O grupo foi na direção da guilda, seguindo as orientações passadas pelos guardas e moradores. Chegando lá, se depararam com um prédio alto que seguia o mesmo padrão de toda a cidade, mas que exibia com orgulho uma grande placa de madeira ornamentada. Nela estava escrita “Grande Guilda de Aventureiros de Nova Terra”.

Entrando no edifício, eles foram juntos até o balcão da recepção, com Andurion e Erebos apresentando o grupo para a recepcionista.

“Bom dia. Nós somos aventureiros e gostaríamos de fazer o registro para conseguir trabalhar em Nova Terra”, disse Erebos.

“Bom dia, aventureiros! Para fazer o registro teremos que passar por algumas burocracias. Preciso do nome de vocês, local de origem, …”, conforme falava, o grupo cada vez mais se debruçava na bancada e informa a recepcionista todas as informações necessárias. Por fim, cada um pagou sua parte na taxa de inscrição e puderam seguir com a conversa.

“Última coisa, qual o nome do grupo de vocês?”, todos se encararam de forma silenciosa. Sempre que conversavam sobre um nome, mesmo antes dos outros aventureiros se juntarem a eles, eles não conseguiam se decidir ou simplesmente não se importavam. Por algum motivo, todos olharam para Andurion, que sempre parecia carregar certeza e austeridade na medida certa.

Ele acariciou sua barba, parando para pensar e analisar as opções. “Carruagem do Lobo, esse é o nosso nome.”

“Eu estou impressionado, por incrível que pareça não é tão genérico quanto poderia ser e faz até um certo nível de sentido”, falou Erebos.

“Ainda mais quando o lobo ficar do tamanho da mãe dele”, concluiu Azzakh.

Norvar tomou a frente para acertar os últimos detalhes que diziam a respeito de seu papel como contratante e membro da Armada da Noite. “Nós estamos em Calêndula para uma missão da Armada da Noite”.

Ele seguiu a conversa com a recepcionista para registrar a missão e resolver todos os tramites legais para que não tivessem nenhum problema em agir no condado, o que foi resolvido rápido de certa forma. Enquanto isso, cada um recebeu um broche da guilda, que os identificava como grupo atuante em Nova Terra, além de um contrato oficial deixando claro a afiliação.

“Se precisarem de qualquer coisa, podem me chamar. Vocês tem direito a solicitar suporte da guilda em qualquer filial e nós possuímos alojamentos que podem ser utilizados por vocês a vontade. Caso precisem de um dinheiro extra, ficarei feliz em mostrar para vocês nossos pedidos disponíveis.”

“Não, obrigado”, disse Andurion.

Mais uma vez, o grupo se separou para explorar a cidade. Erebos, Norvar e Aladim foram atrás de um local para guardar a carroça e tratar dos cavalos, enquanto Conor e Azzakh iam consultar os arquivos da guilda atrás de pistas e Andurion, Lumi e Coralina foram procurar por um lugar para comer.


Erebos mais uma vez estava conduzindo a carroça, a procura de um local para deixa-la junto dos cavalos.

“Pode me deixar aqui, vou explorar um pouco a cidade também para ver se encontro algo interessante”, disse Aladim.

Ele desceu da carroça e se ocultou em meio a multidão, mantendo o olhar fixo no veículo. Em meio a isso, mudou sua forma assumindo aparência nobre e humana, acelerando o passo para alcançar novamente os dois. Quando estava próximo o suficiente, se apresentou aos dois e tentou lançar um encanto em Norvar.

“Muito bom dia senhores. Você, poderia me dar sua adaga?”, falou de forma direta tentando usurpar o item que Norvar carregava através de magia.

Erebos ficou confuso com o visitante estranho, mas Norvar parecia saber exatamente o que estava acontecendo, conforme seus olhos ganharam um tom verde intenso. “Aladim, porquê faz isso?”, falou com confiança, como um pai quando encontra seu filho fazendo algo que não devia.

“Que porra que tá acontecendo?”, falou Erebos cada vez mais confuso. “O que você quer Aladim?”

Norvar desceu e sussurrou para o bruxo. “Não entendi o que você estava tentando com isso, se precisava de algo poderia me pedir e veríamos juntos o que fazer”, agora com um olhar de revolta e decepção, ele se afastou dos dois. “A lua cheia é daqui três dias certo? Em quatro me encontro com vocês na guilda.”

“Ah, mas agora você vai ter que se explicar para o grupo. Entra, você vai comigo encontrar um lugar para os cavalos e vamos voltar para guilda para esperar pelos outros.”

No início da tarde, estavam mais uma vez reunidos todos nos aposentos da guilda, para relatarem o que conseguiram. Azzakh e Conor encontraram apenas descrições geográficas sobre as montanhas e a região de Calêndula, nada que fosse os auxiliar em sua tarefa.

Andurion, Coralina e Lumi foram juntos em um restaurante local, onde se alimentaram e a barda obteve informações sobre eventos que decorreram a algumas semanas no condado. “Parece que nos campos alguma criatura ou coisa estava atacando a vida local, consumindo sua vitalidade. Pelo que conversei com a recepcionista, um outro grupo foi avistado por um fazendeiro investigando os cadáveres e, desde então, nada mais aconteceu.”

Erebos escutava cada um com uma expressão de raiva visível, enquanto Aladim parecia de certa forma envergonhado. “O que foi Erebos?”, disse Coralina.

“Vocês não vão acreditar no que aconteceu, no que o Aladim fez.”

O coração do bruxo batia como nunca havia batido antes, não queria que sua tentativa de furtar a adaga de Norvar viesse a tona. Foi quando uma sensação gelada tomou conta de sua nuca. “Você precisa de ajuda?”, veio mais uma vez a voz no fundo dos seus pensamentos, mas agora oferecendo ajuda.

E ele aceitou. Quando Erebos estava prestes a contar o que aconteceu, algo mudou.

“Enquanto estávamos procurando um local para os cavalos, Aladim desceu da carroça dizendo que ia explorar a cidade, para depois voltar com outra aparência. Ele tentou usar do fato de o Norvar ser um meio-elfo para ganhar as graças de um nobre da cidade, porém o que Aladim não esperava era que ele conseguiria ver que ele estava com uma aparência ilusória.”

Aladim respirou aliviado, mesmo que confuso com o que acontecera. Todos voltaram a discutir sobre o que o bruxo estava fazendo com o grupo, quais eram suas intenções, até que Andurion levantou sua voz retumbante como um trovão.

“Quem você é de verdade! Mostra agora para nós, e assim a gente pode pensar em tentar entender o que você fez.”

O bruxo tentou contornar a situação, mas não tinha mais como. “Tá bom, se é isso que vocês querem. Na minha terra não existe pessoas como eu, sempre tive que ocultar quem eu sou, até o ponto onde criei uma aversão pela minha própria imagem. Eu juro que existe um motivo por trás do que aconteceu, mas eu preciso que vocês confiem em mim.”

Aladim fechou os olhos e abaixou suas defesas místicas, revelando aos poucos sua aparência. Por trás da ilusão de humano nobre, eles puderam ver surgir a pele escura como rocha vulcânica que presenciaram dias atrás. Seu corpo era esguio, com vestes nobres típicas de diplomatas. Suas mãos pareciam tomadas por ouro maciço, como se fosse um item de decoração e não a mão de uma pessoa.

Não eram só as mãos que chamavam a atenção do grupo, muitos de seus acessórios e partes de suas vestimentas pareciam ser “infectadas” pelo dourado. Mas nada era mais chamativo do que o par de chifres que enfeitava sua cabeça como uma coroa.

“Estão satisfeitos?”, falou Aladim envergonhado.

Conor olhou para Erebos, esperando que fosse algo pior. “É sério que era só isso?”

“Tá eu sei, para o povo daqui não parece ser um grande problema, mas para mim e meu povo sempre foi.”

“É eu também esperava mais. Lá em Bronshjarta eu encontrei um cambionte que trabalha para Armada, nada demais.”, disse Erebos.

Aladim voltou a ocultar sua aparência, agora como um humano comum.

“Erebos, você confia no seu amigo?”, disse o anão.

“Apesar do que aconteceu, se ele diz que tem um motivo, eu consigo esperar para entender melhor o que aconteceu. Não acho que foi certo o que ele fez, podia ter falado com a gente antes. De qualquer forma, Norvar saiu decepcionado depois do que aconteceu. Ele disse que vai nos encontrar após a lua cheia. O que vocês querem fazer?”

Eles desceram as escadas em direção a recepção mais uma vez, para decidirem os próximos problemas que iam resolver — ou causar.

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