Faz mais de um ano desde que eu publiquei a primeira publicação de uma nova série com a proposta de falar mais sobre meu cenário homebrew de RPG. E faz um ano desde que não publico mais nada sobre — perdão pelo vacilo! Isso aconteceu por inúmeros motivos, que vão desde a importância desse tipo de conteúdo para mim — o que leva a mais revisão e cuidado que o normal — e também por ter priorizado outras publicações, mas isso está prestes a mudar.
Hoje vamos voltar a falar sobre o Mundo de Vordel e apresentar esse projeto que amo do fundo do meu coração. Esse vai ser o principal meio onde irei explorar a história de Vordel, já que os conteúdos sobre as campanhas oficiais do cenário estão momentaneamente pausadas — mas não inexistentes, você pode ainda acessar conteúdos antigos e ver meu mais novo projeto que é a Guilda de Aventureiros de Vordel nas minhas páginas no Instagram e TikTok.
Além disso, não irei mais numerar essas públicações, já que a ideia é apresentar conceitos, temáticas e histórias do cenário sem com que seja obrigatório consumir todas as publicações anteriores. Porém, fica aqui a recomendação de ler a primeira publicação dessa série ‘Desbravando o Mundo de Vordel – O que é o “Mundo de Vordel”’, onde falo a importância desse projeto para mim, como tudo começou e do que ele se trata.
Hoje vamos falar sobre um dos meus momentos favoritos na história de Vordel, A Guerra dos Dragões. Fazem anos desde que escrevi a primeira versão sobre esse evento histórico, mas ele sempre permaneceu como um dos tópicos mais importantes para se entender o cenário, principalmente o continente de Drazenia.
Venha comigo se unir aos exércitos de Bahamut e Tiamat e entender mais sobre esse conflito que definiu o destino de Vordel.
A Guerra dos Dragões
A Guerra dos Dragões foi um evento de proporções cataclísmicas protagonizada pelos Dragões da Ordem e os Dragões do Caos — comandados respectivamente pelo Dragão de Platina, Bahamut, e a Rainha Tirana, Tiamat. Eles duelaram em um conflito secular, que marcou a história de Vordel e as consequências desse evento afetaram significativamente não apenas todo o mundo dos mortais, como também o domínio dos Deuses.
Até os dias de hoje as consequências da guerra ainda são visíveis — tanto no território de Vordel quando em toda sua sociedade. O atraso no conhecimento e na cultura dos mortais levou Vordel a séculos imerso em trevas durante a Era dos Mortais. Se discute muito entre filósofos e pesquisadores o quanto de conhecimento foi perdido, se estariam agora em um “falso avanço” do que a sociedade realmente deveria representar.
A guerra deu lugar a feridas graves e incuráveis que infectaram muitas culturas de formas diferentes. Será que Vordel seria um lugar mais belo e esperançoso ou a guerra foi apenas a consequência de algo muito mais grave no cerne deste mundo, insubstituível e imparável?
”A Guerra dos Dragões foi o maior conflito já visto por Vordel. Todas as culturas deste mundo registram seus acontecimentos em lendas, histórias, canções, superstições. O norte de Londar se refere a ele como ‘Despontar dos Céus‘, outros falam sobre ‘A Fúria Flamejante‘, o sul de Londar teve seu território marcado pelo Deserto de Fogo e um de seus povos para sempre transformados pela ‘Chacina do Tormento de Sangue‘. Cada Dragão da época tem sua parcela de culpa no que aconteceu, inclusive eu — não é algo do que me orgulho.
Esse é o marco mais importante da história, existe um mundo antes da Guerra e um após. Foi um verdadeiro massacre que acabou com a Era dos Dragões, nos lançando a beira da extinção. Antes voávamos pelas planícies como se Vordel fosse nossa. Agora são poucos aqueles que se lembram dos dias dourados de glória. Eu sou um escrivão, registro e observo este mundo a milênios, não há momento mais definidor como este desde a criação.
Não há um dia que não me arrependa de ter observado tão de perto.”
— Valforme, O Primeiro Sábio
O Começo da Guerra
O estopim da guerra aconteceu após Tiamat assassinar covardemente Raguias, um dos maiores aliados de Bahamut. Esse ato foi suficiente para estourar uma série de conflitos e atos de violência, fruto de anos de provocações e rivalidade entre os dois clãs.
Após a morte de Raguias, Bahamut e cem das suas legiões mais confiáveis avançaram em uma ofensiva agressiva contra o covil da Rainha Tirana, onde seu aliado fora mantido em cárcere até sua morte. A intenção dele era que acabassem ali mesmo com sua tirania — mal sabiam quais seriam as consequências de seus atos. “O Dia da Ira”, como foi nomeado posteriormente, foi o primeiro de muitos episódios sangrentos que marcaram a Guerra.
A Guerra foi oficialmente estabelecida quando ficou claro que a tensão entre os dois grupos não iria diminuir e os conflitos se tornavam maiores e mais elaboradores, levando a morte de inúmeros Dragões. Ambas as partes reuniram-se com seus aliados para o desenvolvimento de planejamentos complexos, definição de divisões armadas e outros estratagemas que demonstraram o desejo pela vitória e extermínio do lado inimigo.
Os meses seguintes a primeira batalha foram marcados por disputas pontuais, em busca de estabelecer locais estratégicos, expandindo a Guerra por toda Vordel. Os Dragões eram vistos pelos mortais como a encarnação das divindades do qual se devotavam, agora observavam suas asas cobrindo a luz do Sol Azul e suas garras espalhando destruição por suas terras.
As Guerras Aéreas
Os céus dourados de Vordel foram tomados por fogo e sangue, manchando sua beleza com guerra e destruição. Foram muitas as batalhas entre as nuvens, dando início ao que ficou conhecido como As Guerras Aéreas. Cada lado do conflito organizou seus exércitos e pouco tempo depois d’O Dia da Ira a Guerra deu início em definitivo. O grande domínio dos Dragões sob Vordel, estabelecido durante a sua Era, agora estava fragmentado em zonas de batalha por todo o mundo.
Chuvas de sangue eram um evento típico em diversas regiões, consequência das batalhas sangrentas travadas pelos seus integrantes. Muitos mortais foram levados a acreditar que se tratava do fim dos tempos, levando medo e superstição a todas as culturas. Antes a admirada elegância e imponência dos Dragões, dava lugar a fúria e afastamento dos mortais.
Aqueles mortos pelas Guerras Aéreas eram capaz de com seus cadáveres mudarem completamente a geografia, fauna e flora dos continentes, levando ao surgimento de novas criaturas e monstruosidades — por consequência da decomposição desses corpos ou pelo consumo de sua carne. Os dois casos mais famosos são o do Deserto de Fogo no continente de Londar, e de espécimes aquáticas cujo seus organismos se tornaram um com sangue de seres dracônicos.
Corrida Armamentista
A carnificina causada pela Guerra levou ambos os lados a um tipo de “corrida armamentista”, com o objetivo de suprir as forças perdidas e obter vantagem sobre o outro lado. Dessa forma, os campos de batalha foram tomados por experimentos e invenções que buscavam substituir os grandes Dragões mortos pelos conflitos anteriores.
O destaque se deu para o surgimento de descendentes dos seres dracônicos, como Draconatos, Kobolds e serpes, que renovaram a Guerra a levando a terra firme. Agora os Dragões, que antes eram vistos como seres divinos e verdadeiras forças da natureza, se aproximavam dos mortais novamente, mas com uma nova roupagem de generais, conforme desfrutavam do seu estilo de guerra armada.
A guerra terrestre incentivada pelas perdas e a corrida armamentista compõe grande parte dos anos da Guerra dos Dragões. Reinos e culturas inteiras se curvaram, se esconderam ou foram exterminadas por conta do desejo dos seres dracônicos. Mesmo aqueles que representavam a Ordem, levavam um pouco de caos a vida de outras pessoas.
Esse mesmo questionamento levou a Bahamut repensar sobre seu papel em Vordel, e principalmente sobre o que essa guerra representava para seu povo. Ficava claro o quanto isso levou os Dragões no caminho para seu fim e que nada mais poderia ser feito. Da mesma forma, a Guerra precisava acabar.
A Batalha da Ordem e do Caos e o Fim da Guerra dos Dragões
As tropas de Bahamut e Tiamat se reuniram em batalhas por toda Vordel mais uma vez, incentivada pelas ordens do Dragão de Platina de acabar de uma vez com a Guerra dos Dragões. A disputa final tomou dias, sem qualquer descanso ou pausa. O episódio final do conflito não poderia receber outro nome se não “A Batalha da Ordem e do Caos”.
Durante toda a Guerra, o significado de ambas as palavras já havia sido perdida, com os Dragões sendo levados a beira da extinção. Os Dragões da Ordem e do Caos questionavam-se quanto aos motivos do conflito ou do que representavam. Durante a batalha, Bahamut e Tiamat duelaram sob os céus de Vordel para dar um fim definitivo a guerra, concordando com a ideia de que não se tratava mais sobre um ou outro ganhar, ambos já haviam perdido muito.
Esse duelo não poderia ser classificado com outra palavra se não divino. Os Deuses dos Dragões mostravam sua onipotência em golpes poderosos que faziam o mundo inteiro tremer diante de tanto poder. Divindades em todos os planos da existência sentiam a própria realidade se segurando para não ruir devido ao tamanho dessa disputa.
Diante da presença dos dois, a noite se tornava dia, iluminado por chamas etéreas que cobriam o horizonte. O conflito transcendia a lógica mortal e se tornava incompreensível. As garras não mais feriam apenas um ao outro, mas também rasgavam o ar em fissuras que aproximavam Vordel de outros planos da existência. Bahamut e Tiamat demonstravam agora a totalidade de suas capacidades, o que poderia levar o mundo a ruina.
Foi quando o Dragão de Platina entendeu o que deveria ser feito para dar um fim ao duelo das Divindades — e por consequência, a própria Guerra dos Dragões. Vordel não suportaria o peso crescente do poder divino dos dois, que evocavam ordem e caos a cada embate. O desejo de vitória e ira que iniciou tudo foi a muito tempo perdido, e agora ele concentrava todos seus esforços em um último ato.
Ele ordenou a Entidade que lhe dera a vida a lhe conceder os meios para o feito que tinha em mente. Fortificado pela própria Ordem, ele ergueu seu martelo em direção aos céus e trouxe o dia ao encontro dos dois. Os raios luminosos do Sol Azul se materializaram em sua presença, acorrentando ele e Tiamat em um ser desforme e luminoso que disparou em velocidade aos céus, para depois cair e se chocar contra Vordel.
Mortais e Dragões presenciaram o clarão de luz e a onda de choque que abalou o mundo. Em seu sacrifício, Bahamut dera fim a Guerra dos Dragões, selando Tiamat no domínio da Entidade do Caos. Ao mesmo tempo que deixavam para trás seus corpos físicos, agora ascendiam de vez ao estado de Divindade, para serem adorados pelo que sobrou de suas linhagens.
O impacto do sacrifício de Bahamut foi tremendo, levando Vordel a beira do colapso em meio a tempestades e erupções vulcânicas, frutos do choque entre ordem e caos. Depois de dias tortuosos por toda Vordel, finalmente a realidade se reestabeleceu. O local do sacrifício recebeu a marca indistinguível de Bahamut sob o mundo, uma nova terra originada por seu último ato após tanta carnificina. Mortais e Deuses presenciavam o renascimento do mundo a partir do fim de uma Era e o começo de outra.


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